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Bloomberg: doadores investem milhões em Romney para ganhar bilhões

Revista aponta conexões entre doações de campanha e interesses econômicos

Carla Miranda

29 de agosto de 2012 | 18h42

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A revista

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publicou uma reportagem mostrando de que forma os maiores doadores da campanha de Mitt Romney à Presidência dos Estados Unidos podem ganhar dinheiro caso o candidato seja eleito.

A publicação pertence ao prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, que já foi do Partido Democrata, passou para o Republicano – o mesmo de Romney – em 2001, agremiação por meio da qual se candidatou e foi eleito para administrar a cidade em 2001. Está sem partido desde 2007, quando abandonou o Republicano, e permanece no terceiro mandato na Prefeitura de Nova York.

Segundo a Bloomberg Insider, não se via em campanhas presidenciais um investimento tão “pesado” desde que o escândalo do Watergate em 1972 levou a regras mais rígidas para doações políticas.

Em 2010, uma série de mudanças regulatórias e decisões judiciais abriu espaço para a volta dos grandes doadores, de acordo com a Bloomberg. “Eles estão colocando dinheiro em organizações sem fins lucrativos, que não revelam o nome do doador, e em super comitês de ação política (Super PAC, na sigla em inglês)”, afirma a reportagem.

A capa da revista diz: “Superpaquidermes: um pequeno grupo de megadoadores está investindo milhões na campanha de Romney. O que eles querem em troca?” (tradução literal). No site, o título é: “Doadores investem milhões em Romney para ter retorno de bilhões”.

Veja abaixo a conexão que a revista apresenta entre os doadores de campanha e as promessas de Romney.

Harold Simmons

Uma companhia controlada pelo empresário Harold Simmons, a Waste Control Specialists, que lida com dejetos radioativos, teve prejuízo em cada um dos últimos cinco anos, sendo que, em 2011, perdeu US$ 38 milhões. Se os reguladores da área de energia nuclear mudarem uma regra – a que impede empresas privadas de receberem resíduos de urânio -, diz a Bloomberg, a empresa dele pode se tornar lucrativa. De acordo com a reportagem, Romney é mais receptivo do que o presidente Barack Obama à ideia de que companhias privadas recebam lixo radioativo. Simmons e sua mulher doaram US$ 15,7 milhões a Super PACs republicanos.

Sheldon Adelson

Mais da metade da receita dos cassinos do bilionário Sheldon Adelson (US$ 2,95 bilhões de US$ 5,34 bilhões) vem de Macau, território chinês. Se a moeda chinesa se valorizar os ganhos de Adelson aumentariam. No caso de uma alta de 5% no yuan, o faturamento dos cassinos em Macau pode aumentar em mais de US$ 70 milhões.

Romney é mais enfático do que o presidente Barack Obama na defesa de que o governo dos EUA pressione a China para valorizar sua moeda. O republicano disse que o país asiático deveria ser considerado um manipulador de moeda, o que o pressionaria a valorizar o yuan.

John Childs

O investidor John W. Childs, que segundo a Bloomberg injetou US$ 2,6 milhões em Super PACs de apoio a Romney e candidatos republicanos ao Congresso, será diretamente beneficiado pela manutenção de cortes de impostos que Romney defende e Obama ataca.

Childs tem uma empresa de private equity, que toma dinheiro emprestado para comprar outras companhias. Ela tem direito de deduzir nos impostos juros que paga ao fazer dívidas. Obama, lembra a Bloomberg, tem uma proposta de restringir possibilidade de deduzir juros nos impostos.

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