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Bolsa Família não resolve ‘nova pobreza’, diz The Economist

Revista faz um raio X do programa de transferência de renda brasileiro

Carla Miranda

29 de julho de 2010 | 16h55

O programa Bolsa Família, que inspira projetos similares em vários países, tem sido “maravilhosamente efetivo” no combate à pobreza em áreas rurais, mas tem efeito restrito na zona urbana, avalia a revista britânica The Economist.

Em reportagem publicada na edição desta semana, o periódico tenta explicar “os limites do mais admirado e emulado programa antipobreza do Brasil”, que influenciou uma iniciativa similar inclusive em Nova York.

A revista se baseia nas definições de nova e velha pobrezas usada pelo secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento Social, Rômulo Paes de Sousa. A velha pobreza, predominante na zona rural, é a da escassez de alimentos e serviços básicos. A nova pobreza, típica das cidades, é mais complexa e se manifesta na forma de consumo de drogas, violência, problemas familiares e degradação ambiental.

Os problemas da nova pobreza, diz a reportagem, exigem atuação conjunta da polícia, do crescimento do comércio (“que torna a vida mais suportável”), das igrejas pentecostais (que dão esperança às famílias) e do Bolsa Família.

O programa de transferência de renda, no entanto, tem na cidade três entraves que não existem no campo, avalia a revista. Primeiro, nas áreas urbanas já havia outros programas que foram substituídos pelo Bolsa Família, o que piorou a vida de algumas pessoas. A reportagem encontrou uma família que, antes do Bolsa Família, recebia o equivalente a dois salários mínimos em ajuda pública; depois, passou a ganhar um quinto disso.

Segundo, na cidade as crianças ganham quando trabalham – por exemplo, vendendo balas – o que é um desestímulo a ir à escola e continuar recebendo o Bolsa Família. Terceiro, o governo dá o benefício à chefe da família. Como nas favelas costumam morar na mesma casa três gerações, o dinheiro que deveria ser dado à mãe da criança acaba indo para a avó.

Leia a reportagem no site da revista The economist (em inglês)

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