Brasil vive ‘drama no futebol’ e deterioração da economia, diz UBS

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Brasil vive ‘drama no futebol’ e deterioração da economia, diz UBS

Em relatório "De volta à realidade: Brasil depois da Copa do Mundo", banco suíço afirma que eleitores podem fazer paralelo entre Copa, economia e eleições

Yolanda Fordelone

21 de julho de 2014 | 12h49

Foto: José Patrício/Estadão

“Para os brasileiros fãs de futebol, a Copa do mundo 2014 acabou em lágrimas”, avaliou o banco suíço UBS em relatório que analisou o Brasil pós Copa do Mundo em relatório (“Back to reality: Brazil after the World Cup” – “De volta à realidade: Brasil depois da Copa do Mundo”). Segundo o banco, infelizmente enquanto dentro do campo o que se viveu foi um drama, na economia a deterioração dos indicadores econômicos continua, o que pode afetar as eleições presidenciais de outubro. O banco também traçou um perfil dos principais três candidatos e o que esperar para a economia.

Após citar diversos indicadores que vieram abaixo da expectativa –  como o Produto Interno Bruto (PIB) que cresceu 0,2% no primeiro trimestre do ano -, o relatório afirma que é preciso encontrar um novo modelo de crescimento econômico. “Sem uma nova estratégia, o modelo brasileiro de crescimento econômico está destinado a permanecer fracassado. O modelo, baseado em gastos do governo e crescimento do crédito via subsídios, alcançou o seu limite”, afirma o documento.

Com lágrimas no futebol e decepção na economia, o UBS afirma que é difícil não imaginar que alguns brasileiros tracem “um paralelo entre o ex-técnico da seleção, Luiz Felipe Scolari, e a técnica do País, a presidente Dilma Rousseff”, candidata à reeleição nas eleições deste ano.

O banco avalia que para conseguir se reeleger, a máquina eleitoral do Partido dos Trabalhadores (PT) deverá correr. Segundo o UBS, apesar de terem o Bolsa Família a seu favor e a possibilidade, ainda que remota, de o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva entrar em cena (a legislação permite que o candidato seja substituído até 20 dias antes da eleição), não é esperado que Dilma se reeleja logo no primeiro turno. Deve haver um segundo turno entre Dilma e Aécio Neves (PSDB) ou Eduardo Campos (PSB).

Ações. Para o mercado acionário, o fiasco da seleção não teve grande impacto. Desde a derrota por 7 a 1 contra a Alemanha, o Ibovespa avançou 4% e a Petrobrás, 10%. Desde março, a Bolsa já subiu 29%, superando outros mercados emergentes em 15%.

A política, contudo, tem um impacto maior na Bolsa. Segundo o UBS, 44% da performance foi ocasionada pela políticas governamentais. No caso, de Eletrobras e Petrobrás, de 21% a 39% da performance foi causada pelas políticas públicas. Em um segundo mandato, Dilma pode ser obrigada a tomar uma postura mais pragmática, o que pode afetar os mercados, segundo o UBS.

Câmbio. Para o câmbio, o UBS prevê uma cotação em torno de R$ 2,32 em um cenário de reeleição de Dilma Rousseff. Caso a oposição ganhe, o dólar deverá ficar em torno de R$ 2,20.

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