Brasileiros perdem 30 minutos no trânsito todos os dias para ir trabalhar

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Brasileiros perdem 30 minutos no trânsito todos os dias para ir trabalhar

Apenas em São Paulo, 1% do PIB é jogado fora por ano com congestionamentos

Gustavo Santos Ferreira

24 de outubro de 2013 | 15h23

Atualizado às 16h48 

Trabalhadores gastam todos os dias 30 minutos, na média, para assumir seus postos no Brasil – mostra estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgado nesta quinta-feira, 24.

O cálculo inclui cidades de vários tamanhos. Por exemplo, quem mora em Itajubá, no interior de Minas Gerais, talvez demore menos. E deve ter muito paulistano bravo com o dado, por gastar bem mais do que meia hora.

“Apesar de ter melhorado a renda e aumentado a posse de veículos automotores, a população pobre ainda enfrenta os maiores problemas de mobilidade urbana nas grandes cidades”, diz material divulgado à imprensa.

Não há como não comemorar os mais de 40 milhões de brasileiros egressos da Classe D à C desde 2005. Mas apontar o maior número de veículos nas ruas como algo que deveria acelerar o trânsito de pessoas não faz muito sentido.

O levantamento mostra que nada menos que 54% dos lares no País têm carro ou moto hoje. Há cinco anos, essa proporção era de 45%. O fato de existir pouca rua para muito carro, associado a baixos investimentos em transporte público, parece ser justamente o maior motivo de uma hora ser jogada fora por dia para ir e vir do trabalho.

Mais dados que reforçam a falta de mobilidade urbana do Brasil: entre quem ganha de R$ 339 a R$ 678, 17% precisam de mais de uma hora para chegar no emprego. Das famílias com renda superior a R$ 3,4 mil, 12% ficam parados no trânsito o mesmo tempo.

Trânsito. R$ 40 milhões são perdidos por ano por causa do congestionamento em SP

Os dados sobre trabalhadores considerados pobres, que têm R$ 170 por mês para viver, podem enganar: 58% deles precisam apenas de menos de meia hora chegar no emprego. Mas, de acordo com a divulgação do Ipea, isso reflete a obrigatoriedade dessas pessoas trabalharem perto de casa. Ou seja, obviamente, muitos acabam indo a pé trabalhar.

“O padrão de mobilidade urbana no Brasil vem se alterando nos últimos anos com o aumento acelerado da taxa de motorização da população, o que significa mais acidentes de trânsito, maior poluição veicular e perda de tempo em função dos congestionamentos nos centros urbanos”, diz o documento do Ipea.

Nesta situação, fora o principal, que é o prejuízo à qualidade vida de todos, existe ainda o ônus econômico.

Estudo da Fundação Getúlio Vargas aponta, só na cidade de São Paulo, perdas equivalentes a 1% da produção de bens e serviços (PIB) nacional – vão R$ 40 bilhões para o ralo.

Do montante, 75% dizem respeito ao chamado custo de oportunidade – as riquezas que não são geradas enquanto toda a gente fica fechada dentro de um carro. Os demais 25% são de custo pecuniário – gastos com combustíveis e com tratamento de doenças decorrentes na inalação da queimas desses combustíveis; e a inflação do preço do frete, por tamanho tempo gasto em entregas.

Tudo isso equivale a 95% do orçamento estimado pelo Município de São Paulo para este ano; ao valor aproximado de 1,5 milhão de veículos populares novos (um Gol, por exemplo); e ao custo de em 80 km em linhas de metrô – que poderiam, obviamente, dar um jeito na questão e melhorar a vida de muita gente.

Aliás, vale citar o corte na projeção do crescimento potencial para o Brasil, feito na quarta pelo FMI: caiu de 4,25% para 3,5%. E, além disso, se quiser conseguir um crescimento da proporção de 3,5%, de acordo com o Fundo, investimentos em infraestrutura são obrigatórios. Nisso, claro, está incluída a mobilidade urbana.

E, tentando parar por aqui, mas continuando, falar sobre os protestos constantes no País desde junho, eclodidos pelo aumento das tarifas de um transporte público decadente, seria chover no molhado. Mas que chova.

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