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Câmbio faz exportação de etanol cair à metade em 2010

Número foi dado por empresa que comercializa produtos das usinas

Carla Miranda

18 de janeiro de 2011 | 11h40

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Reprodução da capa da edição de pré-lançamento da Brazil Confidential

A “Brazil Confidential” é uma revista quinzenal sobre o País que o jornal “Financial Times” lançará em fevereiro. O objetivo é manter informados os grandes investidores interessados no mercado nacional. Nada de “oba-oba” com a economia brasileira, nem de pessimismo infundado.

A reportagem de capa da edição de pré-lançamento fechou em 29 de novembro, mas permanece atual: é uma espécie de alerta sobre os problemas que o real forte tem trazido ao País.

Veja o que líderes empresariais afetados pelo câmbio disseram à “Brazil Confidential”:

– “Não existe mercado para exportação de etanol brasileiro neste momento”, segundo Tarcilo Rodrigues, diretor da Bioagência, empresa que comercializa produtos das usinas de açúcar e álcool. O preço desse combustível precisaria cair para R$ 0,95 por litro para competir nos Estados Unidos. Hoje, está em R$ 1,18. A estimativa é de que as exportações de etanol produzido com cana-de-açúcar da região centro-sul, que corresponde a 90% do total do País, tenham sido de no máximo 1,7 milhão de litros em 2010, uma queda de 53% em comparação ao ano anterior (3,6 milhões de litrtos).

– “Obviamente a alta do real está afetando as exportações. Nós estamos vendendo de 30% a 40% menos nesse ano [de 2010]”, disse Arthur Albiero Neto, da Omel Bombas, empresa que exporta bombas e compressores para América Latina e outros mercados emergentes como Indonésia.

– “O impacto [do câmbio] tem sido devastador”, afirmou Heitor Klein, diretor-executivo da Abicalçados, associação de empresas de calçados A exportação desse produto pode se tornar uma “coisa do passado”. “Em 2008, nós ganhamos US$ 1,9 bilhão em receita de exportações. O número caiu para US$ 1,5 milhão e é precisamente por causa da moeda.”

– “Com a taxa de câmbio, a Agco precisa vender maquinário a um certo preço aos clientes de fora, então a margem se estreita e o resultado não é tão atraente”, relatou André Carioba, da Agco, multinacional de máquinas agrícolas.

– “Esse foi um mau ano, e a taxa de câmbio precisa mudar”, alertou Pedro de Camargo Neto, presidente da associação dos exportadores de carne de porco. As exportações dessa mercadoria caíram 20% em volume. Ainda, os produtores enfrentam o aumento de custo da ração e do trabalho.

– “O dólar entre R$ 1,85 e R$ 1,90 seria a taxa ideal”, propôs Francisco Turra, presidente da associação dos setor de aves.

Menos reclamações

A JBS, gigante do setor de carne, traz um ponto de vista diferente. “Não cabe a nós criticar a taxa de câmbio, que é resultado de condições econômicas, com aumento de renda e de poder de compra”, afirmou à “Brazil Confidential” Jerry O’Callaghan, chefe da área de relações com investidores da companhia.

A revista explica, ainda, que o aumento dos preços de commodities agrícolas no mercado internacional ameniza os problemas dos produtores.

Revista na íntegra

Os textos da revista não estão na internet. Quem entra no site e cadastra seus dados, demonstrando interesse em assinar, ganha um exemplar em PDF da edição de pré-lançamento.

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