Casa Branca nega ajuda financeira a Detroit
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Casa Branca nega ajuda financeira a Detroit

Auxílio sugerido pelo governo soa mais como mero apoio moral

Gustavo Santos Ferreira

19 de julho de 2013 | 19h18

A Casa Branca descartou nesta sexta-feira qualquer possibilidade de ajuda financeira a Detroit – avisa o The Detroit News. O auxílio sugerido pelo secretário de Imprensa do governo americano, Jay Carney, soa como mero apoio moral.

“A questão aqui é de insolvência e são Detroit e seus credores que terão de resolver”, disse Carney em entrevista coletiva. “Estamos dispostos a ajudar de maneira geral, em termos políticos e como parceiros para que Detroit encontre seu caminho e avance nas próximas semanas, meses e anos”.

 Biden. Não sabe como ajudar Detroit? Nem ele

Em coletiva também nesta sexta, o vice-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, perguntou: “Podemos ajudar a Detroit?”. E ele mesmo respondeu: “Não sabemos”.

Detroit vive dois processos paralelos de difícil conciliação. Enquanto o déficit anual (diferenças entre gastos e receitas que, acumuladas, resultam no total da dívida) não para de crescer, a população não para de diminuir.

Consequentemente, com menos mão de obra, fica difícil gerar as riquezas necessárias para fechar as contas no azul. O gráfico a seguir, elaborado pelo Washington Post, ilustra mais nitidamente o caso.

Detroit teve sua falência autorizada em vídeo publicado na internet pelo governador de Michigan, Rick Snyder, na quinta. A cidade tem uma dívida calculada em US$ 18 bilhões – a maior em toda a história a ser declarada por uma cidade americana como impossível de ser paga.

De acordo com Snyder, este momento deve ser transformado numa oportunidade de recomeçar.

(Vale destacar: o governo dos Estados Unidos é Democrata; o de Michigan, onde fica Detroit, é Republicano.)

Top 10. A transformação parece mesmo ser bem-vinda. De polo mundial da indústria automobilística, Detroit transformou-se em símbolo de decadência, agravada desde a crise de 2008. Seus problemas são bem mais profundos do que meramente econômicos.

A emissora ABC News listou em seu site 10 pontos críticos que dão boa mostra de como a crise é mais sensível para os cidadãos do que para os cofres públicos. Aí vão eles:

1. Detroit tem US$ 18 bilhões em dívidas.

2. O montante está distribuído entre 100 mil credores.

3. Quase 80 mil edifícios foram abandonados e muitos estão inseguros.

4. A população de Detroit caiu de 1,9 milhão para 700 mil – evasão causada pela falta de oportunidades.

5. Cerca de 47% dos donos de imóveis devem seus impostos.

6. A polícia demora perto de 58 minutos para atender solicitações, graves ou não – quando a média nos Estados Unidos é de 11 minutos.

7. Apenas 8,7% dos crimes violentos são resolvidos, numa cidade com a maior criminalidade entre as grandes cidades americanas.

8. O número de trabalhadores na indústria caiu de 200 mil para apenas 20 mil nos últimos anos.

9. Somente 7% dos alunos da oitava série da cidade não são analfabetos funcionais.

10. O sistema de aposentadoria é subfinanciado em US$ 3,5 bilhões – ou seja, faz-se necessário buscar essa quantia em outros setores para todos os beneficiários serem pagos.

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