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Após 3 décadas, China inverte modelo e fortalece estatais

Estado está aumentando seu peso na economia; setor privado murcha

Carla Miranda

30 de agosto de 2010 | 15h43

A China está voltando a fortalecer o papel do Estado, invertendo um processo de abertura ao capital estrangeiro que foi desencadeado por reformas feitas no final dos anos 1970, segundo uma extensa reportagem publicada no jornal “The New York Times”.

O diário norte-americano baseou-se em dados do Fundo Monetário Internacional, em declarações de autoridades chinesas e na opinião de analistas, entre outras fontes, para concluir que, com a crise financeira internacional, o capital estatal passou a ocupar uma importância maior na economia do país, fato que ainda não começou a ser revertido.

“Muitos especialistas dizem”, segundo o jornal, que “um vasto volume” do pacote de estímulo econômico de US$ 588 bilhões do governo chinês foi empregado em estatais. Algums delas, diz o “New York Times”, usaram o dinheiro para “fortalecer seu domínio no seu ramo de atuação ou entrar em novas áreas”.

Após a crise, “vários” dos 129 grandes conglomerados controlados diretamente pelo Estado entraram no setor imobiliário, que está aquecido na China, segundo a reportagem. As estatais também cortaram contratos com empresas privadas; na província de Shanxi, especificamente, conglomerados governamentais compraram uma série de concorrentes.

Alguns analistas ouvidos pela reportagem acreditam que o modelo de abertura para capital privado ganhará força conforme o mundo for saindo da crise; outros creem que o fortalecimento do Estado tende a ser mais duradouro. O argumento é que a atual elite política, liderada pelo presidente Hu Jintao e pelo primeiro-ministro Wen Jiabao, é menos afinada com o capital estrangeiro do que a geração anterior.

“O problema é que as reformas dos primeiros 20 anos, de 1978 até o final dos anos 1990, não tocou de fato no poder do governo. Então, depois que outras reformas [mais recentes] terminaram, percebe-se que o governo está se expandindo, porque não há freio e contrapeso ao seu poder”, afirmou ao “New York Times” o pesquisador chinês Yao Yang, do Centro Chinês para a Pesquisa Econômica.

Leia a reportagem no site do “New York Times” (em inglês)

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