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China investe US$ 8 bi em compra de empresas nos EUA e bate recorde

Capital chinês aumenta compras na América do Norte em setores estratégicos

Carla Miranda

22 de agosto de 2012 | 18h10

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A China pode estar sofrendo desaceleração e reduzindo o ritmo de compra de empresas em diversos países, mas não abriu mão de continuar avançando sobre a maior economia do mundo, mostra uma reportagem do Financial Times.

O investimento chinês em aquisições de empresas nos Estados Unidos desde o início do ano somou US$ 7,8 bilhões, valor recorde para um período de oito meses. O número está próximo, ainda, de bater o recorde anual, atingido em 2007 (US$ 8,9 bilhões). Isso ocorre apesar de o mercado de fusões e aquisições ter sofrido uma desaceleração global.

O capital da China opta principalmente por setores estratégicos. A maior aquisição chinesa do ano nos EUA foi a da AMC Entertainment, uma rede de cinemas com 5.028 salas nos Estados Unidos e no Canadá e público anual de 200 milhões de espectadores.

Quem comprou o gigante do entretenimento foi um grupo privado chinês, o Dalian Wanda, que desembolsou US$ 2,6 bilhões e com isso se tornou a maior rede de salas de cinema do mundo. Antes do negócio, a empresa americana era vice-líder em seu país, e a chinesa, líder na Ásia.

Na ocasião, o jornal Los Angeles Times informou que essa foi o maior investimento já feito por uma empresa chinesa no setor de entretenimento nos EUA. Ainda, o diário observou que tal aquisição vai aumentar o poder de barganha da China nas negociações com os estúdios de Hollywood. De um lado, companhias americanas querem aumentar as exibições de filmes no país asiático, onde vive mais de 1 bilhão de pessoas. De outro, a China quer levar seus filmes ao Ocidente, e agora tem à disposição mais de 5 mil salas na América do Norte.

O segundo maior negócio de uma empresa chinesa nos EUA neste ano foi em outro setor estratégico, o de petróleo e gás. A estatal chinesa Sinopec pagou US$ 2,4 bilhões para comprar a Devon Energy.

Joe Gallagher, do Credit Suisse, disse ao FT:

“A China está ficando maior, mais rica e mais sofisticada. As companhias chinesas estão se desenvolvendo. Algumas das maiores empresas chinesas, especialmente no setor de petróleo e gás, estão ficando muito mais requintadas na forma como lidam com aquisições.”

Seja o que for que ele quis dizer, seu entusiasmo com o crescimento chinês é facilmente explicado. Ele é um dos responsáveis pela área de fusões e aquisições do Credit Suisse, banco que assessorou a Sinopec e a AMC nesses dois meganegócios citados acima. A instituição financeira esteve envolvida em negócios de US$ 5,1 bilhões entre empresas americanas e chinesas.

Novas compras

Os investimentos da Sinopec no petróleo americano e do grupo Dalian Wanda no entretenimento podem ficar pequenos em comparação ao que está por vir.

Outra petrolífera chinesa, a Cnooc (China National Offshore Oil Corp.) está fazendo uma oferta de US$ 15,1 bilhões pela canadense Nexen, apesar de o lucro da companhia asiática ter caído 19% no primeiro semestre por causa de vazamento de óleo e aumento de custos. De qualquer maneira, a Cnooc teve um ganho líquido de US$ 5 bilhões no período.

O mesmo grupo considera fazer uma oferta também bilionária por ativos da americana Chesapeake Energy.

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