China reduz crescimento e modelo econômico deve mudar
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China reduz crescimento e modelo econômico deve mudar

A desaceleração está em curso e governo tende a trocar o investimento pelo consumo

Gustavo Santos Ferreira

15 de julho de 2013 | 16h00

Ainda que mantido em nível elevado, o crescimento anualizado da China no segundo trimestre, de 7,5%, acentua a necessidade de o país rever o mix de sua política econômica.

A desaceleração está em curso. Os números divulgados nesta segunda-feira são os menores em 13 anos. Há três meses, o avanço da produção de bens e serviços era de 7,7% em 12 meses; em 2012, foi de 7,9% e vem caindo faz tempo – veja só o gráfico abaixo.

O China Daily publicou matéria em que classifica esse panorama como ideal para mudanças. Na visão do jornal, faz-se necessário melhor emprego dos recursos abundantes por lá.

Embora o PIB chinês tenha crescido nos últimos anos justamente pelo grande investimento feito pelo governo em empresas e na indústria, há sinais de descontrole. Ao menos nove cidades têm dívidas superiores a 100% da riqueza que geram.

Enquanto no Brasil há muito consumo para pouco investimento, na China é o contrário. Por aqui, boa parte dos analistas justifica a paradeira da economia pelo fato de o consumo ter sido explorado ao máximo, em detrimento do investimento. Por lá, há até as chamadas “empresas zumbis”. Produzem, fabricam e crescem de forma desmedida, sem ter para quem vender. Pequim, portanto, precisaria incentivar o consumo interno para impulsionar a sua atividade.

Xi Jinping. Novo mix vem aí? Mais consumo, menos investimento

Há mais indícios dessa falta de sustentação. Para cada 100 chineses empregados no segundo trimestre, por exemplo, havia 7 vagas sem ninguém para assumir. Ou seja, o potencial do mercado produtivo foi superdesenvolvido a tal ponto que faltam chineses (e olha que eles são muitos!) para fazer a potente engrenagem funcionar bem.

Mas reformas estruturais podem já estar acontecendo. Em maio, o presidente da China, Xi Jinping, comprometeu-se a expandir o acesso da população ao crédito e reduzir as intervenções do governo. Em outras palavras, em vez de abrir o cofre para emprestar dinheiro ao empresariado, liberaria crédito bancário para a população.

No gráfico a seguir, vemos que o investimento em capital fixo (basicamente, indústria e construção civil), em trilhões de yuans e em porcentagem do PIB, já vem baixando.

O processo, no entanto, não será “indolor” – adverte o China Daily. Não há navio que mude de rumo sem que, antes, tenha de baixar sua velocidade. E, até que entre de vez em nova rota, a velocidade de cruzeiro da China tende mesmo a sofrer algumas interrupções.

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