Ciclo de prosperidade está perto do fim?
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Ciclo de prosperidade está perto do fim?

Confira algumas perguntas e respostas sobre o que pode acontecer com as ações após seis anos de crescimento desde o pânico da crise do Lehman Brothers em 2009

Economia & Negócios

09 de março de 2015 | 16h26

Turista posa sobre o touro de bronze que representa o mercado em Wall Street: expansão já dura seis anos (AP)

Turista sobre o touro de bronze que representa o mercado em Wall Street: expansão já dura seis anos (AP)

Steve Rothwell
ASSOCIATED PRESS

NOVA YORK – Em 2009 o mercado de ações estava cheio de pânico. O mercado imobiliário tinha entrado em colapso. O banco Lehman Brothers tinha quebrado e a General Motors estava à beira de uma recuperação judicial que a reorganizaria. Os Estados Unidos estavam numa profunda recessão, e as ações acumulavam queda de 57% em relação ao auge de preços em outubro de 2007.

Seis anos mais tarde, os investidores estão aproveitando um dos períodos de alta no mercado mais longos desde os anos 1940.

O índice Standard & Poor’s 500 mais que triplicou desde o momento em que atingiu seu ponto mais baixo, 676,53 pontos, em 9 de março de 2009. A alta venceu uma crise de endividamento nos EUA, o recrudescimento dos conflitos no Oriente Médio, novas tensões com a Rússia envolvendo a Ucrânia e a estagnada economia europeia.

Será que o período de prosperidade está perto do fim?

A maioria dos estrategistas de mercado ainda não viu os sinais que costumam acompanhar um momento de auge. Os investidores ainda não se tornaram demasiadamente confiantes.

“Os períodos de alta no mercado não chegam ao fim por uma questão de tempo, e sim por causa do acúmulo de algum excesso”, diz Stephen Freedman, diretor de estratégia com ativos cruzados do UBS Wealth Management. Eis algumas perguntas e respostas a respeito da valorização das ações:

Por que as ações continuam se valorizando?

Há uma poderosa combinação de lucros corporativos maiores e crescimento econômico.
O principal fator é o ganho das empresas. Elas cortaram custos em resposta à Grande Recessão que teve início em dezembro de 2007. Isso ajudou a ampliar as margens de lucro quando a demanda começou a se recuperar. Como resultado, os ganhos por ação aumentaram consistentemente desde o final da recessão em 2009. As empresas do índice S&P 500 devem gerar esse ano um lucro recorde de US$ 119,35 por ação esse ano, o dobro do rendimento observado em 2009.

As contratações aumentaram e os custos estão em baixa, e isso significa que os americanos estão mais confiantes em relação à economia do que em qualquer outro momento desde a recessão. O desemprego caiu do auge de 10% em 2009 para 5,5%. Uma queda acentuada no preço do petróleo reduziu o preço da gasolina e deixou mais dólares no bolso dos americanos. A maioria dos economistas prevê crescimento de mais de 3% esse ano.

Conforme os investidores e sentem mais confiantes em relação ao crescimento, eles se mostram mais dispostos a pagar mais pelas ações. A razão média entre preço e rendimento de uma empresa do S&P 500, que mede quanto os investidores estão dispostos a pagar por cada dólar de rendimento, está em 17,2. Seis anos atrás, esse número era 11.a disposição dos

Qual foi o papel desempenhado pelo Federal Reserve (banco central americano)?

O Federal Reserve manteve sua principal taxa de juros próxima do zero desde 2008. Comprou trilhões de dólares em obrigações pra manter baixos os juros de longo prazo. Ao cortar juros, os responsáveis pela política econômica incentivaram empresas e consumidores a fazerem empréstimos e gastar. Os juros historicamente baixos no mercado de obrigações também tornaram as ações comparativamente mais atraentes. O rendimento médio de dividendos, que mede o preço da ação de uma empresa em relação aos dividendos pagos por ela, é de 2,06% para as ações do S&P 500.

O rendimento dos papéis do Tesouro com vencimento em 10 anos, considerados ultrasseguros, é de 2,24%
“Essencialmente, ao investir no S&P 500, obtemos o mesmo rendimento proporcionado por uma nota do Tesouro”, diz Marco Pinto, gestor de portfólio da Janus. “Mas temos também… a valorização das ações aumentando conforme as empresas aumentam seus rendimentos.” Os juros baixos provavelmente ajudarão a manter as ações em alta por mais algum tempo. Embora os investidores digam que existe a possibilidade de o Fed aumentar os juros já em junho, poucos esperam uma rápida sequência de altas nos juros.

Como esse período de alta se compara a intervalos anteriores de prosperidade no mercado?

Houve 12 períodos de alta no mercado desde o final da 2.a Guerra Mundial, com duração média de 58 meses, de acordo com a S&P Capital IQ. Acumulando 72 meses, a sequência atual é a quarta mais longa já registrada desde então. Embora possamos descrever o período como maduro, ainda faltam alguns anos para que alcance a sequência mais longa, que começou em 1990 e completou 113 meses em 2000.

Quanto teria ganho uma pessoa que tivesse investido US$ 10 mil no momento de maior baixa?

O S&P 500 teve retorno de 253% desde 9 de março de 2009. Isso significa que um investimento de US$ 10 mil valeria hoje US$ 25.262. Um investimento idêntico na média industrial Dow Jones no mesmo período teria transformado US$ 10 mil em US$ 22.428.

Por quanto tempo o período de prosperidade ainda pode durar?

Todos os períodos de prosperidade chegam ao fim. Tal é a natureza dos mercados financeiros. Entretanto, poucos analistas acreditam que o fim do período atual esteja próximo. A economia americana continua se fortalecendo e a inflação permanece sob controle. E embora o Fed tenha encerrado seu programa de compra de obrigações, outros bancos centrais do mundo, como o Banco Central Europeu e o Banco do Japão, ainda estão fornecendo estímulo a suas economias.

“Não acredito que as ações vão enfrentar desafios significativos no curto prazo”, diz Michael Arone, estrategista-chefe de investimentos da State Street Global Advisors. “Se houvesse algum tipo de recessão, ou uma desaceleração nos EUA, claro que isso seria prejudicial… mas não parece haver nada disso no horizonte.” Além disso, muitos dos excessos que acompanham os momentos de auge dos períodos de prosperidade ainda não vieram à tona, diz Freedman, do UBS Wealth Management. Exemplos são o boom imobiliário que precedeu a quebra iniciada em 2007, ou a mania das empresas ponto.com de 1999 e início de 2000.

“Como a recuperação foi lenta, ninguém teve tempo de exagerar no tipo de comportamento que voltou para assombrar os mercados”, diz ele.

O que provoca o fim dos períodos de prosperidade?

Normalmente, uma recessão. Quatro dos cinco períodos de prosperidade observados no mercado desde 1970 chegaram ao fim quando os investidores ficaram assustados com a chegada ou aproximação de uma recessão. Analistas do Bank of America dizem que a mais provável ameaça ao atual período de valorização seria a alta na inflação. Isso poderia provocar uma venda acelerada nas obrigações, transmitindo ondas de choque para os mercados financeiros.

Outra ameaça significativa é um declínio nos rendimentos. Isso pode ocorrer se o dólar, em forte valorização – a mais alta ante o euro nos 12 anos mais recentes -, se fortalecer ainda mais, tornando os artigos americanos mais caros para os consumidores do exterior e se traduzindo em menos dólares no resultado final das corporações.

Alguns investidores estão planejando um período de vendas em massa. James Abate, diretor de investimentos da Centre Funds, diz enxergar uma probabilidade muito maior de a economia americana entrar em recessão do que a maioria dos investidores e analistas. Ele diz que os ganhos do mercado de ações não condizem com o desempenho da economia. O crescimento continua estável, mas não poderia ser descrito como robusto. Isso significa que as empresas terão dificuldade em aumentar as vendas, o que acabará prejudicando seu rendimento. “Não chegaremos a celebrar o sétimo aniversário desse período de valorização”, diz Abate./Tradução de Augusto Calil

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