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Classe média tradicional sente efeitos negativos do ‘boom’

Para jornal, inflação impede parte da população de acompanhar o bom momento econômico

Carla Miranda

20 de julho de 2011 | 15h47

Depois que a maior parte da imprensa estrangeira já escreveu repetidas vezes sobre o crescimento da nova classe média brasileira, o “Financial Times“,

um dos jornais que mais abordam o País, publica uma reportagem sobre a “classe média tradicional”.

Segundo o jornal, a vida para quem é desse segmento – de pessoas que ganham acima de R$ 5.174 – ficou “mais dura nos últimos anos”, apesar de o Brasil passar por seu “período mais próspero desde o milagre econômico”.

“Ao mesmo tempo em que muitas pessoas da classe média tradicional concordam com a distribuição de renda, elas temem o quanto isso lhes pode custar”, diz o texto. A nova classe média é definida no “FT” como o grupo com renda mensal entre R$ 1.200 e R$ 5.174.

A renda média dos “analfabetos” (o jornal usa esse termo sem defini-lo com precisão) cresceu 37% desde 2003, enquanto a dos que têm pelo menos curso superior incompleto caiu 17%, segundo dados do professor Marcelo Neri, da Fundação Getulio Vargas (FGV).

Na análise do “Financial Times”, programas de transferência de renda ajudaram as camadas mais pobres a consumir mais, o que gerou aumento da demanda e inflação. Por causa disso, a classe média tradicional é pressionada de duas formas: como consumidora e como dona de pequenas empresas.

O diário entrevistou a proprietária de uma lanchonete, segundo a qual o encarecimento da carne, por parte dos fornecedores, a obrigou a aumentar o preço dos pratos. Os clientes dela perceberam e reclamaram. Para a empresária, seu público alvo tem feito menos refeições fora de casa.

Leia a reportagem no site do “Financial Times” (em inglês)

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