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Coca-Cola insinua que China é melhor que EUA para negócios

Presidente da empresa diz que empresas americanas estão em desvantagem

Carla Miranda

26 de setembro de 2011 | 16h24

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Pode ter sido apenas uma provocação aos políticos americanos, mas não deixa de ser um acontecimento curioso. O presidente da Coca-Cola, empresa que volta e meia é apontada como símbolo do capitalismo, insinuou que hoje a China, país comandado por um partido chamado de Comunista, tem um ambiente de negócios melhor que os Estados Unidos.

Em entrevista ao “Financial Times“, Muhtar Kent apontou barreiras políticas e uma estrutura tributária supostamente antiquada como fatores que fazem dos EUA um mercado menos competitivo.

“Se você compara uma companhia americana […] com suas equivalentes na China, na Rússia, na Europa ou no Japão, claro que estamos em desvantagem”, afirmou.

Ele se mostrou desestimulado a levar para os EUA o dinheiro obtido em outros países. Depois acrescentou: “Uma companhia chinesa ou suíça pode fazer o que ela quer com esses recursos {ganhos no exterior]. Quando vamos trazê-los de volta [para os EUA], temos que encarar uma grande carga tributária”.

O executivo disse que empresas americanas se beneficiam na China porque “governos locais [no país asiático] brigam uns com os outros para obter investimento [estrangeiro]”.

A reportagem disse que Kent citou também o Brasil como exemplo de uma economia emergente que está se tornando atrativa para investimentos da forma como os EUA uma vez já foram. No entanto, o texto do “FT” não traz a frase exata do executivo sobre o País.

Provocação

As declarações soam mais como uma provocação aos políticos americanos, uma forma de pressionar por mudanças no sistema de impostos. “Eu acredito que os EUA estejam devendo a si mesmos um sistema tributário do século 21 tanto para os indivíduos como para as empresas”, afirmou.

Atualmente, a China é responsável por 6% das vendas globais da Coca-Cola; os EUA, por 41%. Mas a empresa anunciou tem um plano de investir US$ 4 bilhões na China em três anos e abrir capital no país asiático. Nesta segunda-feira, 26, disse que a Rússia receberá US$ 3 bilhões em cinco anos. Já na América do Norte a companhia investirá US$ 1,3 bilhão neste ano.

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