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Fortuna da mulher mais rica do Brasil cresceu com contratos públicos

Ela é dona da Camargo Correa, que cresceu e continua se expandindo com apoio do Estado

Carla Miranda

23 de agosto de 2012 | 17h48

A agência Bloomberg escreveu uma reportagem mostrando como foi construída a fortuna da mulher mais rica do Brasil, Dirce Navarro de Camargo, dona da Camargo Correa, um império que atua em 17 países, emprega 58,4 mil pessoas e faturou R$ 5,2 bilhões no ano passado.

Dirce é dona de uma fortuna de US$ 13 bilhões, segundo cálculos da Bloomberg. Viúva de Sebastião Camargo, morto em 1994, ela mantém uma postura discreta, raramente aparecendo na mídia. Não vai à imprensa nem para falar da própria empresa, cuja administração ela deixa nas mãos de profissionais.

Atualmente, ela é a terceira pessoa mais rica do Brasil (atrás de Eike Batista, com US$ 21,1 bilhões, e  Jorge Paulo Lemann, com US$ 17,4 bilhões) e 59ª do mundo. A maior fortuna do planeta ainda é do mexicano Carlos Slim.

Contratos públicos

Sebastião Camargo, nascido em 1909, se virava na adolescência transportando areia em cima de burros. Aos 30 anos, montou uma empresa com dois sócios, cujas participações logo foram compradas pela família Camargo.

Já nos primeiros dez anos de existência, a companhia ganhou contratos públicos para  rodovias e estradas de ferro. No governo Juscelino Kubitschek, participou da construção de Brasília.

Nos governos militares, a companhia participou de projetos ainda maiores na área de infraestrutura, incluindo o metrô de São Paulo, a rodovia Transamazônica e a ponte Rio-Niterói.

A Bloomberg cita uma declaração de Dirce dada à Folha de S.Paulo em 1990: “O maior progresso do Brasil ocorreu durante o governo militar”. Nesse período, lembra a agência, Sebastião foi condecorado com um diploma da Escola Superior de Guerra.

Mas a companhia continuou crescendo nos governos civis. Nas privatizações dos anos 1990, o conglomerado comprou a CPFL (Companhia Paulista de Força e Luz) e obteve concessões de rodovias que formaram a empresa CCR.

Após a morte de Sebastião, a empresa continuou se expandindo. Hoje, um quarto da dívida do grupo é de empréstimos concedidos pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), segundo a agência de classificação de risco Fitch.

Em 2010, a Camargo Correia esteve entre os maiores doadores a campanhas políticas, tendo colocado, ao todo, R$ 23,5 milhões nos cofres de PT, PMDB e PSDB.

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