Cuba decide unificar suas moedas

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Cuba decide unificar suas moedas

A alteração, de acordo com o governo de Havana, será gradual

Gustavo Santos Ferreira

22 de outubro de 2013 | 16h15

Em nota publicada no jornal Gramna – veículo oficial do Partido Comunista Cubano, no poder desde 1959 -, o governo do presidente Raúl Castro avisou que o sistema atual de câmbio do país vai mudar.

Atualmente, duas moedas correm na ilha: o peso cubano tradicional (CUP, na sigla em inglês), para nativos e exportações e importações; e o peso cubano conversível (CUC), para turistas.

“A unificação da taxa de câmbio não é uma medida que resolve por conta própria todos os atuais problemas econômicos de Cuba, mas sua implementação é essencial para garantir a restauração do valor do peso cubano”, diz a nota.

A alteração, de acordo com o governo de Havana, será gradual. Faz parte de grande processo de abertura econômico esperado desde que Fidel deu lugar ao irmão Raúl no poder, em 2008.

Muitos produtos não subsidiados pelo governo de Cuba – supérfluos como shampoo, por exemplo – só podem ser comprados com o CUC, com maior poder de compra.

Irmãos Castro. Fidel deixou o poder, em 2008, para Raúl; abertura é esperada desde então

Embora, apesar de toda a fragilidade econômica, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de Cuba seja considerado elevado pelas Nações Unidas, os dois pesos não diminuíram o abismo entre classes.  Se antes os cubanos abonados usavam dólares, agora usam CUCs – e o abismo se mantém.  Portanto, há quem tenha maior acesso a produtos e conforto e existem aqueles obrigados a sobreviver com o estritamente necessário.

A divisão em dois dos pesos cubanos aconteceu na década de 1990, quando da dissolução do bloco socialista. À época, Cuba aceitou abrir o país aos turistas, como já não recebia apoio financeiro da União Soviética. E, com isso, enxurrada de dólares entrou no país.

Mas esses dólares circulavam no mercado paralelo, ou seja, distantes das mãos do Estado e de casas de câmbio. A compra e venda de dólares era feitas entre as pessoas, informalmente. Daí, enfim, veio a ideia de criar os CUCs, em 1994, com poder de compra equiparado ao do dólar. Por lei, todos os comerciantes de serviços e produtos voltados para turistas não podiam mais aceitar moedas estrangeiras, apenas CUCs.

A adoção de dois pesos em Cuba, evidentemente, tem fundo também ideológico. Admitir a moeda do inimigo, no caso os Estados Unidos, como corrente no país seria uma afronta ao regime do então presidente Fidel Castro.

Vale lembrar que Cuba sofre embargo econômico dos Estados Unidos desde 1962, aprofundado no governo de Bill Clinton. Uma série de transações comerciais entre os países é proibida por Washington. Entre as pontas da corda, o lado mais fraco é o da economia cubana, bem menos poderosa.

Apesar de toda a soberania defendida pelos Castro, economicamente Cuba segue refém. Se antes eram dos soviéticos, hoje são de China e Venezuela./ COM AGÊNCIAS

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