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Dados de usuários do Facebook são repassados sem autorização

Programas como Farmville vendem informações; site diz que não sabe

Carla Miranda

18 de outubro de 2010 | 12h22

Atualizado às 16h26

Você sabe o que acontece com seus dados quando usa um aplicativo do Facebook, como o Farmville? O Facebook diz que também não.

O “Wall Street Journal” publicou nesta segunda-feira uma reportagem mostrando que os dez mais populares aplicativos parceiros do Facebook transmitem informações de identificação dos usuários para empresas que fazem propaganda pela internet e para outras que rastreiam os internautas.

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Procurado pelos repórteres Emily Steel  e Geoffrey Fowler, do “Wall Street Journal”, o Facebook afirmou, por meio de um porta-voz, que essas informações “podem” estar sendo usadas inadvertidamente. A empresa ressalta, no entanto, que os dados que repassados não dão acesso a informações que os usuários não compartilham publicamente.

O problema é que isso “quebra as regras [de privacidade] do Facebook” e “levanta questões sobre a capacidade do Facebook de manter a segurança das informações sobre as atividades dos usuários”.

A notícia do “Wall Street Journal” teve repercussão na imprensa mundial. O site do jornal britânico “Financial Times” foi atrás do assunto e noticiou que o Facebook agora está investigando o que os seus parceiros fazem com as informações dos usuários.

A rede social pode dizer que não sabe o que é feito com os dados dos membros, mas estes já tinham meios para desconfiar que isso acontecia. Os aplicativos parceiros do Facebook solicitam que o usuário dê autorização para que suas “informações básicas” sejam acessadas (nome, foto, lista de amigos “e qualquer outra”, “a qualquer hora”). Esses programas solicitam, ainda, que o usuário permita acessar informações de seus amigos. Caso não concorde com todas as condições, o internauta não pode usar o aplicativo, como mostram as imagens abaixo.

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Reprodução do quadro que aparece quando o usuário tenta se inscrever no jogo Farmville. O aplicativo pede autorização para acessar dados, mas não para vender a terceiros

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O aplicativo Friend Interview pede ainda mais dados do que o Farmville (imagem:reprodução)

O “Wall Street Journal” vem analisando há meses a privacidade na internet, com a série de reportagens “What they know” (“O que eles sabem”). O diário já mostrou como o Google obtém dados de usuários e publicou, ainda, uma espécie de “ranking da privacidade“, usando como critério o número de arquivos de rastreamento que um site tem.

Leia a reportagem no site do “Wall Street Journal” (em inglês)

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