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‘Economist’ vê spread ‘colossal’ no Brasil mesmo após corte de juro

Diferença entre o que os bancos pagam e o que cobram ainda é bem mais alta que na AL

Carla Miranda

19 de abril de 2012 | 15h00

Atualizado às 15h26

Os bancos brasileiros continuarão trabalhando com uma diferença “colossal” entre as taxas de juros que eles cobram quando emprestam dinheiro e as que pagam quando tomam emprestado, observa a revista The Economist. Essa diferença é o que os economistas chamam de spread.

O gráfico abaixo, reproduzido a partir da Economist, compara o spread no Brasil com o de outros países.

credito_brasil_spread_the_economist_reproducao.png

A barra mais clara indica que o spread no Brasil médio no ano passado foi de mais de 30 pontos percentuais. Ou seja, se os bancos pagavam juros de 10% ao ano aos seus credores, cobravam mais de 40% de seus devedores.

Segundo a Economist, agora o spread no Brasil ficou abaixo de 30 pontos, mas no resto da América Latina ele é de pouco mais de 5 pontos percentuais. Entre os países da OCDE (grupo composto majoritariamente por nações ricas), fica abaixo de 5 pontos.

Juros baixos ‘podem não durar’

A decisão dos bancos controlados pelo governo de reduzir suas taxas de juros ,o que foi acompanhado pelos concorrentes privados, “parece estar funcionando”, mas ” parte mais difícil ainda está por vir”, opina a Economist. A publicação acredita que a origem do problema está na baixa taxa de poupança do País, em média de 16,5% desde os anos 1990. A publicação cita o cálculo de um economista do FMI (Fundo Monetário Internacional) segundo o qual a taxa básica de juros no Brasil poderia cair mais de dois pontos percentuais sem risco de inflação se a poupança interna fosse semelhante à do México, de 22,6%.

No entanto, considerando que não há sinal de que a poupança no Brasil caminhe para esse patamar e que economistas projetam inflação maior no fim do ano, a Economist acredita que o Banco Central será forçado a elevar as taxas de juros para conter o aumento de preços. “O descanso para os tomadores de empréstimo brasileiros pode não durar”, conclui a reportagem.

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