As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Economistas não vivem no mundo real, diz prêmio Nobel

Crise mostra que modelo de Adam Smith 'não durou', afirma Joseph Stiglitz

Carla Miranda

20 de agosto de 2010 | 13h29

Atualizado às 15h06

stiglitz_reuters_bobby_yip_29042010.JPG
Stiglitz: tese de Adam Smith ‘não durou’ (foto: Bobby Yip/Reuters)

Sobrou até para Adam Smith. O economista Joseph Stiglitz, Nobel de Economia em 2001, publicou um artigo no jornal britânico “Financial Times” criticando o atual pensamento econômico e defendendo que não basta uma melhoria dos atuais modelos econômicos, mas uma “mudança de paradigma”, nas palavras dele.

Com a chamada de capa “Economistas precisam viver no mundo real”, Stiglitz afirma que “modelos ruins levam a políticas ruins”, o que ajuda a explicar por que os formuladores das políticas econômicas não conseguiram detectar a iminência da “pior recessão desde a Grande Depressão”.

“A hipótese dos mercados eficientes – a noção de que os preços de mercado expressam todas as informações relevantes [de uma mercadoria] – estava na ordem do dia”, diz o economista.

Para Stiglitz, os economistas nos últimos anos se apoiaram em ideias que não encontram respaldo na realidade, como a suposição de que os agentes da economia são iguais e totalmente racionais, de modo que não teria importância saber quem empresta para quem. Os especialistas também subestimaram a “assimetria de informações” entre os diferentes atores do mercado, avalia o Nobel.

“Teses célebres, como a da mão invisível de Adam Smith, não duraram; a mão invisível era invisível porque não estava lá”, afirma Stiglitz. “Hoje, poucas pessoas acreditam que executivos de bancos, ao perseguir seus próprios interesses, promoveram o bem-estar da economia.”

Stiglitz avalia que os bancos centrais olharam apenas para as pequenas ineficiências econômicas geradas pela inflação e ignoraram as “grandes ineficiências oriundas de disfunções dos mercados financeiros e de bolhas de preços de ativos”.

Leia o artigo no site do Financial Times (em inglês)

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.