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El País: ‘dia nefasto’ para a economia espanhola

Após aprovação de pacote de aperto fiscal, investidores jogam para cima os juros da Espanha

Carla Miranda

20 de julho de 2012 | 15h15

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Esta sexta-feira, 20 de julho, é um “dia nefasto” para a economia espanhola, escreveu o site El País no alto da sua página inicial. No impresso, o diário afirmou que os mercados “castigaram fortemente” o país.

Um dia depois de o Parlamento da Espanha aprovar o maior pacote de austeridade fiscal desde a democratização do país, e também de o Eurogrupo (que reúne ministros das Finanças da zona do euro) dar sinal verde para o resgate do sistema financeiro espanhol, os juros que o governo do país ibérico paga aos investidores dispararam e bateram recorde.

O prêmio de risco da dívida espanhola (diferença entre o que rendimento pago pelos títulos da Espanha e aqueles pagos pelos alemães) atingiu 6,1 pontos porcentuais. Os títulos do país com vencimento em dez anos agora rendem 7,269%, muito perto do máximo histórico, de 7,284%, atingido em 18 de junho.

Isso significa que todo o esforço da Espanha e de outros países não se mostrou suficiente para acalmar o mercado. Para piorar, a região de Valencia, altamente endividada, pediu ajuda ao govrno central, gerando mais preocupações.

Mais aperto, mais gastos

Pior: por causa do aumento dos juros de títulos públicos, o governo gastará € 9 bilhões a mais com a dívida pública no ano que vem. Essa alta contribuirá para que as despesas públicas totais subam 9,2%, de € 116 bilhões neste ano para € 127 bilhões em 2013, segundo a projeção oficial. Já a receita do governo deve aumentar apenas 4%, para € 124 bilhões.

Resumindo: enquanto o governo faz um aperto fiscal de € 65 bilhões para equilibrar as contas públicas e acalmar os mercados, o que se vê são investidores mais preocupados e projeção de aumento das despesas do governo.

 

Abaixo, algumas das medidas de austeridade fiscal na Espanha:

Aumento do Imposto sobre Valor Agregado (IVA). A alíquota geral passa de 18% para 21% e a reduzida, que incide sobre a maioria dos alimentos, de 8% para 10%.

Salário de funcionário público. Uma gratificação de Natal será cortada.

Mais trabalho. O número de dias livres dos funcionários públicos cairá.

Auxílio-desemprego. O pagamento cairá a partir do sétimo mês – num momento em que muita gente demora mais do que isso para se recolocar no mercado.

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