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Empresa coleta dados para medir reputação das pessoas

Fundador da companhia diz que esse é o futuro da publicidade online

Carla Miranda

01 de dezembro de 2010 | 14h53

Uma empresa norte-americana, chamada BlueCava, desenvolveu um procedimento para captar dados de computadores, celulares e set-top boxes (aparelhos usados na TV digital) para classificar a reputação das pessoas e vender informações para outras companhias, segundo uma reportagem publicada no “Wall Street Journal”.

O texto é o 12º da série “O que eles sabem”, sobre privacidade na internet.

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A BlueCava já obteve dados de 200 milhões de dispositivos (entre computadores, celulares e outros aparelhos) e pretende, até o final do ano que vem, atingir 1 bilhão de aparelhos, 10% dos 10 bilhões que se estimam existir no mundo.

O objetivo declarado é vender as informações para empresas interessadas em pagar caro para atingir clientes específicos. “Esta é a próxima geração da publicidade online”, disse ao “Journal” o fundador da empresa, David Norris.

“Cada [aparelho] tem uma configuração de relógio diferente, diferentes tipos de letra, diversos softwares e muitas outras características que o fazem uma máquina única. Sempre que um computador comum entra na internet, envia centenas de detalhes como esses para outros computadores”, explica a reportagem.

O que a empresa busca é o chamado “fingerprint” (impressão digital, em inglês), ou seja, o conjunto de informações que torna cada computador uma peça única. Até pouco tempo atrás, diz o jornal, o fingerprint era usado somente para identificar cópias ilegais de software ou fraudes com cartão de crédito. Agora, a finalidade será a publicidade.

Para evitar a invasão de privacidade, a Federal Trade Commission, órgão regulador dos Estados Unidos, deve divulgar um documento defendendo que os navegadores (browsers, programas para acessar a internet) passem a oferecer ferramenta que possibilite ao usuário impedir que seu computador seja rastreado, segundo a reportagem.

Dá para preservar a privacidade?

O “Wall Street Journal” tenta explicar como se faz para evitar o “fingerprinting”. No entanto, apresenta apenas duas possibilidades: uma deixa o computador extremamente lento e a outra faz com que os sites acessados apareçam bagunçados na tela do computador.

“Não existe uma forma conveniente de preservar a privacidade”, declarou à reportagem o cientista da computação Peter Eckersley, da Electronic Frontier Foundation, entidade de proteção à privacidade.

Veja as dicas do “Wall Street Journal” para fugir do “fingerprinting” (em inglês)

Leia a reportagem completa  no site do “Journal” (em inglês)

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