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Estrangeiros invejam modelo do Sesc, diz ‘New York Times’

Entidades culturais em outros países reduzem orçamento, enquanto o Sesc aumenta

Carla Miranda

27 de março de 2012 | 12h57

Atualizado às 14h16

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O Sesc (Serviço Social do Comércio) foi parar na primeira página do “New York Times” como um exemplo de sistema de financiamento à cultura invejado pelos gestores de programas culturais de países desenvolvidos.

O texto foi escrito pelo ex-correspondente Larry Rother, um jornalista que causou polêmica em maio de 2004 ao assinar uma reportagem com o título: “Hábito de bebericar do líder brasileiro [no caso, o então presidente Lula] vira uma preocupação nacional“.

Desta vez, o título pode ser traduzido como: “Entidade cultural singular no Brasil ocupa-se em dividir a riqueza”. Enquanto organizações culturais em todo o mundo têm que cortar programas para se adaptar à redução das receitas, Danilo Santos de Miranda, diretor do Sesc de São Paulo, vê seu orçamento aumentar 10% ou mais a cada ano, “o que o torna invejado por seus pares”, afirmou o “Times”.

Isso acontece porque o Sesc, uma entidade privada, recebe de empresas do comércio e dos serviços uma taxa compulsória de 1,5% sobre a folha de pagamento. Numa época em que o emprego com carteira assinada não para de subir, o orçamento do Sesc também não para de crescer.

“O Sesc é um modelo maravilhoso que nós deveríamos ter no mundo inteiro”, disse ao “New York Times” a produtora cultural Nan van Houte, atualmente diretora do Instituto de Teatro da Holanda e ex-presidente da International Network for Contemporary Performing Arts.

“Integrar tudo, ter teatros, piscinas, bibliotecas, restaurantes, workshops e museus, tudo junto, é [uma ideia] muito inteligente. Isso faz com que a cultura se torne parte do dia a dia, e não uma coisa à parte”, afirmou Van Houte.

O “Times” aproveita para contar a história do chamado “sistema S”, uma iniciativa dos industriais e comerciantes para tentar evitar que seus funcionários aderissem ao comunismo.

O sistema S

alcides_leite01.jpgA notícia do “Times” foi sugerida ao Radar Econômico pelo professor de economia Alcides Leite (foto ao lado), colaborador deste blog. Abaixo, ele explica o sistema S.

Sistema S preenche vazio deixado pelo poder público

O sitema S é composto por diversas entidades de direito privado, sem fins lucrativos, que são mantidas por contribuições específicas autorizadas pela Constituição Federal. São as chamadas contribuições de interesse das categorias profissionais ou econômicas.

As principais entidades são: Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural), Senac (Serviço Nacional de Aprendizagem do Comércio), Sesc (Serviço Social do Comércio), Sescoop (Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo), Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), Sesi (Serviço Social da Indústria), Sest (Serviço Social de Transporte), Senat (Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte) e Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas).

As contribuições que financiam estas instituições incidem sobre a folha de pagamento das empresas pertencentes à categoria correspondente.

O sitema S tem recebido grande apoio da sociedade devido aos bons serviços que vem prestando. O Sesc tem vários centros culturais, o mais conhecido é o Sesc Pompéia, obra da arquiteta Lina Bo Bardi. Estes centros preenchem o vazio deixado pelo poder público na área de lazer e entretenimento. Em São Paulo, milhares de pessoas frequentam os Sescs no fim de semana. As instalações são modernas, limpas e confortáveis, contrastando com as intalações culturais da prefeitura que carecem de manutenção.

O sistema S é uma inovação, garantida pela Constituição, que tem servido de modelo para outros países, inclusive os mais desenvolvidos.

Com o crescimento do número de trabalhadores com carteira assinada, a receita das entidades do sistema S têm crescido acima do crescimento do PIB. Estas receitas não podem ser contingenciadas pelo governo, como são contingenciadas as receitas dos Ministérios. Desta forma o Sistema S escapa da burocracia e dos desperdícios comuns no serviço público.

Embora haja um certo corporativismo e risco de corrupção no sistema S, a população, sobretudo os mais jovens, acredita que a relação custo/benefício do sistema é positiva.

Alcides Leite é professor de economia na Trevisan Escola de Negócios e inspetor-analista concursado do Banco Central. Autor de “Brasil: A trajetória de um país forte”.

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