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FMI desafia ortodoxia e cogita aumentar metas de inflação

Economistas do Fundo fazem espécie de autocrítica, propondo mudanças

Carla Miranda

12 de fevereiro de 2010 | 08h49

Atualizado às 10h13

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Documento do Fundo Monetário Internacional mostra que a instituição está desafiando a sua tradicional ortodoxia, ao propor mudanças em alguns parâmetros-chave que costumavam ser defendidos antes da crise internacional, relata o jornal britânico Financial Times. As propostas sinalizam que “algumas vacas sagradas devem ser abatidas”.

Entre as propostas de mudança está o aumento das metas de inflação que a entidade defende para os países, passando de cerca de 2% ao ano para 4%, de forma que a política monetária (que inclui a definição da taxa básica de juros) possa responder melhor à crise, segundo o jornal.

Outra proposta é que as famílias pobres recebam pagamentos fixos quando a taxa de desemprego nos países atinja patamares muito elevados. O Fundo também defende intervenção na taxa de câmbio para países com economia pequena e fortemente dependente do comércio exterior. Ainda, o FMI quer que os bancos centrais tenham uma gama “enorme de ferramentas regulatórias”, nas palavras do jornal, de forma que possam amaciar os rumos da economia.

O momento político verificado à época em que o FMI fez essas propostas não existe agora, afirmou co-autor do documento Olivier Blanchard, economista-chefe da instituição. Para ele, os problemas financeiros e econômicos recentes expuseram “falhas nas estrutura da política pré-crise”.

No Brasil, o regime de

Documento

se iniciou em junho de 1999 e, desde então, passou a ser o foco do Banco Central. A medida sempre causou polêmica, com alguns economistas defendendo uma postura menos rígida, e outros mais. Desde que esse sistema foi adotado, a meta não foi cumprida três vezes: em 2001, 2002 e 2003. Em 2002, vale ressaltar, a meta era de 3,5%, mas a inflação ficou efetivamente em 12,53%.

Leia a reportagem no site do Financial Times (em inglês)

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