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‘FT’: empresas no Brasil têm baixo impacto ambiental

Aqui, empresas geram menos efeitos negativos do que em outros emergentes

Carla Miranda

21 de fevereiro de 2011 | 05h30

Atualizado às 11h26

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ITAIPU. Hidrelétricas garantem boa imagem do Brasil entre investidores
Foto: Fábio Motta/AE

Circulam nesta segunda-feira (21) nas altas rodas do mercado internacional informações que, indiretamente, são um  argumento “pró-usina-de-Belo Monte” e podem aumentar a polêmica em torno do projeto do governo de flexibilizar as regras ambientais do País. 

A “Brazil Confidential”, uma revista quinzenal em inglês cujo exemplar sai por mais de US$ 100, publicou com exclusividade uma pesquisa sobre o impacto ambiental das empresas instaladas no Brasil.

Entre as conclusões, a de que, no Brasil, o efeito negativo sobre o meio ambiente causado pelas companhias corresponde a menos da metade do verificado em outras regiões emergentes. Enquanto no País os custos ambientais das maiores empresas correspondem a 4,9% do volume de negócios delas, nas demais nações emergentes essa média é de 10,5%. Nas grandes companhias britânicas, a proporção é de 7,3%.

O jornal “Financial Times”, do mesmo grupo de comunicação ao qual pertence a “Brazil Confidential”, publicou um resumo das constatações da pesquisa.

US$ 22 bi em ação

“A combinação das fontes de eletricidade no Brasil é dez vezes mais eficiente do que a média global. Isso dá aos investidores opções sustentáveis em vários setores”, disse Neil McIndoe, da Trucost, à “Brazil Confidential” e ao “Financial Times”.

Para o “FT”, a pesquisa “fortalece a causa do investimento verde na oitava maior economia do mundo”. Não se trata apenas de uma suposição. Grandes instituições financeiras do mundo, que juntas administram US$ 22 bilhões, são signatárias de um pacto no qual se comprometem a incorporar os impactos ambientais e sociais entre os critérios para decidir onde investir.

Energia e telecom

De 49 grandes empresas brasileiras analisadas, dois terços têm impacto ambiental abaixo da média mundial. O fato de 70% da energia aqui consumida vir de hidrelétricas, diz o estudo, levou empresas de produção e distribuição de eletricidade a atingir o topo do ranking. As empresas de telecomunicações também tiveram bom resultado, afirma o “FT”, porque usam fontes renováveis de energia.

Esses dados podem ser usados para defender a usina de Belo Monte porque mostram que, se a matriz da energia nacional continuar sendo fundamentalmente de hidrelétricas, o País terá um forte argumento para atrair investidores. Mas isso não encerra a discussão: vale a penas sacrificar a vida de algumas pessoas para gerar mais energia e atrair dinheiro ao País? É o eterno debate sobre os conflitos entre o direito das minorias e suposto bem coletivo.

Brazil Confidential

Esta é a segunda edição da Brazil Confidential. Lançada há duas semanas, a publicação é vendida apenas por assinatura e volta-se principalmente para o público internacional. Na promoção de lançamento, um ano de “Brazil Confidential” (24 exemplares) custava 3.000 libras esterlinas (R$ 8.100, quase R$ 340 cada exemplar). Quando a data da oferta venceu, a assinatura anual passou a 4.000 libras (R$ 10.800, ou R$ 450 o exemplar).

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