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‘FT’: Saída de Nelson Barbosa é ‘preocupante’ e ‘diminui a fé no modelo Dilma’

Para a revista, saída será mais uma desculpa para investidores fugirem do Pais

Nayara Fraga

21 de maio de 2013 | 10h30

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Fernando Nakagawa, correspondente da Agência Estado

LONDRES – Pelo segundo dia consecutivo, o jornal Financial Times critica duramente o governo da presidente Dilma Rousseff. Em reportagem publicada nesta terça-feira, 21, a publicação britânica diz que o anúncio da saída do secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, é “preocupante” e diminui ainda mais a “fé no modelo Dilma”, o que poderia gerar preocupações para o setor privado.

Com o título “Investidores perdem a fé no ‘modelo Dilma’ para reanimar a economia do Brasil”, a reportagem diz que a saída do secretário aumentou as preocupações sobre a estratégia da presidente brasileira a respeito do crescimento da economia.

“A saída de um alto burocrata pouco conhecido fora de seu país normalmente não preocupa investidores internacionais. Mas a saída de Nelson Barbosa por ‘razões pessoais’ na semana passada foi considerada preocupante”, diz o texto assinado por Joe Leahy, chefe da sucursal do FT em São Paulo.

“Além do debate com o ministro Guido Mantega e outros altos burocratas sobre a transparência das finanças públicas, o senhor Barbosa também foi o responsável pela proposta de reforma do complexo sistema tributário dos Estados.

“Sua saída será apenas mais uma desculpa para investidores fugirem de um Brasil que eles já acreditam ser muito intervencionista”, diz o texto, que afirma que Barbosa era uma voz de “discordância relativa” na equipe econômica de Mantega.

Após ouvir analistas, banqueiros e acadêmicos sobre a saída de Nelson Barbosa, a reportagem afirma que a troca de cadeiras no Ministério da Fazenda “vai alimentar preocupações” sobre a direção que será tomada de agora em diante pela presidente Dilma Rousseff.

“Investidores haviam depositado esperanças no ‘modelo Dilma’ – centralizado e com reformas planejadas por uma economista ao estilo de um presidente-executivo – o oposto do charme folclórico de Lula da Silva, que não concluiu o ensino fundamental”, diz o texto.

Um dos ouvidos pelo FT sugere que a presidente gasta muito tempo com detalhes, o que a impede de governar de forma mais ampla.

“Ela deveria assumir a presidência do Brasil e aprender como ser a presidente do conselho e parar de dizer aos ministros quais cores usar no seus powerpoints”, diz um dos ouvidos pelo jornal britânico.

Segundo a reportagem, críticos dizem que os resultados do estilo Dilma têm sido “o lento crescimento econômico, a intervenção governamental excessiva e a crescente despesa pública”.

O texto destaca que a maioria dos brasileiros continua apoiando firmemente o governo. “Embora o crescimento da economia tenha caído de 7,5% em 2010 para menos de 1% no ano passado, isso mal chegou às pessoas na rua. Ao proteger indústrias e estimular o consumo com o cortes de impostos, baixas taxas de juros e empréstimos de bancos estatais, o governo manteve o desemprego em um piso histórico”, diz o jornal, lembrando que recente pesquisa realizada pelo Ibope e o jornal O Estado de S.Paulo mostrou que Dilma teria 76% do apoio do eleitorado se a eleição presidencial fosse realizada hoje.

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