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G-20 ignora ideia dos Brics de reduzir dependência do dólar

Sme os EUA, emergentes haviam defendido redução da dependência do dólar

Carla Miranda

18 de abril de 2011 | 14h37

iuli_nascimento02__.jpgHá menos de uma semana, os Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) se reuniram na China, sem a participação dos Estados Unidos, e defenderam a criação de um sistema de reservas menos dependente do dólar, como observou na ocasião o jornal francês “Les Echos“. Agora, na reunião de ministros do G-20 em Washington realizada nesse fim de semana, o assunto não foi para frente, nota Iuli Nascimento* (foto), colaborador do Radar Econômico.

A propósito, o enviado especial do Estadão a Washington, Rolf Kuntz, observa que, em foruns mais amplos, os países do Bric “raramente cantam em conjunto” (saiba mais).

Vale destacar que, ainda assim, o jornal “Les Echos“, em reportagem desta segunda-feira, 18, considera que houve avanço na reunião do G-20, uma vez que foram identificados os sete países responsáveis pelo desequilíbrio global, que devem examinar profundamente suas políticas econômicas.

Escreve Iuli Nascimento:

Na reunião do G-20 em Washington, os trabalhos sobre a criação de um sistema de moedas de reserva ‘mais estável e previsível’ do que o atual, em que o dólar predomina, não evoluíram. Trata-se, antes de qualquer coisa, de uma reunião para se encontrar um acordo de boa conduta econômica entre os paises.

Reunidos em Washington, os ministros das finanças do G-20 identificaram os sete países responsáveis pelos desequelíbrios econômicos mundiais: Estados Unidos, Japão, Alemanha, França, Inglaterra, China e Índia. Após as discussões, eles concordaram em desenvolver um método de controle dos países que se distanciam de um crescimento econômico equilibrado.

O jornal ‘Les Echos’ apresenta essa reunião como uma nova tentativa de eliminação do desequilíbrio do crescimento mundial. Na realidade, foi uma reunião com o objetivo de encontrar um acordo de boa conduta econômica entre os paises. As recomendações finais desse encontro sobre a luta contra a volatilitdade dos preços das matérias-primas encontraram total unamindade, inclusive com o apoio do Brasil, incialmente pouco favorável a idéia em melhor enquadrar os preços dos produtos derivados da agricultura. Os resultados das discussões sobre a volatitlidade dos preços estão previstos para serem retomados em outono de 2011; os parcipapantes não evoluíram nesse aspecto.

Uma proposta lançada pela França é de conhecer melhor a produção, o consumo e o estoque de culturas (como, por exemplo, do trigo e do milho) para melhor antecipar as crises. Essas informações serão organizadas em um banco de dados que ficarão sob o controle da FAO (Food and Agriculture Organization, órgão da ONU).

“Les Echos” conclui o artigo mostrando a predominância da visão americana. O texto diz que mais de 80% dos derivativos [na área de commodities agrícolas] são controlados por cinco grandes bancos americanos: JPMorgan Chase, Bank of America, Goldman Sachs, Citigroup e Morgan Stanley. E tanto a França como a Alemanha “não pensam em suprimir a atividade especulativa necessária ao bom funcionamento do mercado”.

Leia a reportagem no site do jornal Les Echos (em francês)

* Iuli Nascimento, geógrafo-urbanista, é coordenador de pesquisa no Institut d’Amenagément et d’Urbanisme Ile de France, em Paris. Ele colabora com o Radar Econômico indicando notícias de jornais europeus sobre economia.

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