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Governo sentirá falta do ‘chefe’, diz ‘Financial Times’

'Nunca antes o Brasil terá tido um ex-presidente tão forte', opina o jornal

Carla Miranda

29 de outubro de 2010 | 18h33

“Nunca antes na história desse país […] o Brasil teve uma mulher na Presidência.” A frase é a primeira de uma notícia no site do “Financial Times”, que será publicada na próxima edição do jornal impresso.

O diário continua: “Mais importante, nunca antes o Brasil terá tido um ex-presidente tão forte”.

O correspondente da publicação, Jonathan Wheatley, há 18 anos no País, gostou de brincar com algumas expressões que se tornaram típicas do “lulismo” – inclusive esta palavra é citada duas vezes na reportagem.

“A falta do senhor Lula da Silva, o ‘chefe’ do Brasil, será extremamente sentida”, afirma o “Financial Times”, em mais uma brincadeira com uma expressão lulista (quando Dilma Rousseff era menos conhecida, alguns eleitores se referiam a ela como ‘Vilma do chefe’).

A reportagem faz uma comparação entre Lula e Néstor Kirchner, ex-presidente da Argentina recém falecido. E, consequentemente, entre Dilma e Cristina, a atual chefe do governo argentino”.

Para os autores da reportagem, Wheatley e John Paul Rathbone, Dilma tem pouco apoio popular no PT e precisará da ajuda de Lula como articulador político. “A construção de coalizões não é obviamente um dos pontos fortes” da candidata.

Mesmo assim, o Brasil não ficará numa situação semelhante à da Argentina, em que Kirchner era considerado por muitos especialistas o “presidente de fato”. O Lulismo é “mais amigável com o mercado, menos antagonista politicamente e mais dependente do apoio do partido que o kirchnerismo”, afirma a reportagem.

Ainda, “a vida política no Brasil é mais institucionalizada” do que na Argentina, na opinião do “FT”. O jornal não acredita que Lula voltará para seu apartamento em São Bernardo para assistir a jogos de futebol e tomar cerveja, como o presidente disse certa vez.

Tampouco acha provável que ele ganhe um cargo alto na Organização das Unidas, depois que o presidente aproximou-se do chefe de governo iraniano, Mahmoud Ahmadinejad. O mais provável é que Lula fique no Brasil, ajudando quando chamado e servindo de mediador de conflitos que Dilma não puder resolver”, disse ao “FT” o cientista política Alberto Almeida.

Leia a reportagem no site do Financial Times (em inglês)

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