Imigrantes são escravizados em obras da Copa do Catar; 44 morreram em 66 dias
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Imigrantes são escravizados em obras da Copa do Catar; 44 morreram em 66 dias

Nepaleses são a maior parte dos 90% de trabalhadores estrangeiros do país

Gustavo Santos Ferreira

25 de setembro de 2013 | 16h32

Imigrantes do Nepal são escravizados nas obras da Copa do Mundo de 2022, no Catar – denuncia o Guardian nesta quarta-feira, 25.

Os nepaleses formam a maior parte dos 90% de trabalhadores estrangeiros do país – a maior proporção do tipo de toda a economia mundial.

Eles erguerão uma cidade inteira, Lusail City, a partir do zero. Serão gastos US$ 45 bilhões com infraestrutura e com um estádio para 90 mil espectadores – veja vídeo abaixo.

A descoberta dos trabalhadores escravizados veio após investigação de 44 mortes súbitas de jovens em apenas 66 dias, entre junho e agosto. A média de quase um óbito por dia teria sido motivada por exaustão.

Ainda de acordo com o Guardian, complexa cadeia escravagista leva anualmente aldeias inteiras do Nepal para o Catar. Operários relataram 24 horas de trabalhos ininterruptos, com agressões e sem comida.

Eles seriam submetidos a métodos modernos de escravidão, definidos pela Organização Internacional do Trabalho das Nações Unidas.

Do zero. Cidade feita por nepaleses custará US$ 45 bilhões

A reportagem do Guardian revela:

• Trabalho forçado nas obras para Copa de 2022;

• Falta de remuneração e economias familiares retidas para impedir fugas;

• Passaportes e cédulas de identidade confiscados, para que nepaleses sejam considerados ilegais;

• Acesso negado à água potável;

• 30 nepaleses refugiados na Embaixada do Nepal após fuga.

Abuso. 24 horas são trabalhadas sem comida por Lusail City

Em resposta à matéria, o Ministério do Trabalho do Catar disse que as mortes de trabalhadores do Nepal dizem respeito “às autoridades de saúde ou ao governo do Nepal”.

Questionado se o Catar trata os trabalhadores estrangeiros de forma justa, disse estar “empenhado em garantir que todos os trabalhadores sejam tratados de forma justa e equitativa”.

A Lusail Real Estate Company disse “não tolerar violações de trabalho ou de saúde” em seus locais de trabalho. E prometeu “instruir continuamente” seus fornecedores e subcontratados para evitar “atividades potencialmente ilegais” relatadas pelo jornal britânico.

O Comitê da Copa de 2022 afirma estar “profundamente preocupado” e garante investigar as denúncias.

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