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Imperialismo chinês? Argentina aguarda US$ 5 bi de Pequim

Cristina aceitaria, em troca, ceder terras aos investidores da China?

Gustavo Santos Ferreira

13 de junho de 2013 | 16h14

O ministro da Agricultura da Argentina, Norberto Yauhar, trouxe boas notícias de sua viagem à China. De acordo com ele, o Banco do Desenvolvimento chinês abrirá uma linha de crédito rural para investimentos em território argentino da ordem de nada menos que U$S 5 bilhões.

Em entrevista coletiva, no entanto, Yauhar não deu detalhe algum sobre os termos e as taxas de juros acertados com os chineses. E apontou como contrapartida “a possibilidade de empresas chinesas desembarcarem no país”. Uma lista de projetos, garante, será enviada por Pequim nas próximas semanas.

As relações entre os dois países vêm sendo intensificadas. Nos três primeiros meses deste ano, as exportações da Argentina para os chineses foram as que mais cresceram na balança comercial do país: 8,2% – informa a consultoria independente Abeceb.

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¿Podemos creer? Cristina aceitaria ceder terras aos chineses?

A notícia foi repercutida com certa desconfiança na Argentina. “A China é um dos governos mais agressivos na compra de grandes extensões de terra agrícolas em outras países, a fim de garantir o fornecimento de alimentos no futuro”, informa o Clarín desta quinta-feira, 13.

Por um lado, a linha de crédito chinesa pode, evidentemente, fortalecer ainda mais as parcerias entre os dois países. Mas, por outro, sua viabilidade é duvidosa; a Argentina possui leis que impedem a transferência de terras produtivas para as mãos do capital estrangeiro.

A boa nova de Yauhar entraria em choque com a política kirchnerista, de impedir o “imperialismo” de outros países mais desenvolvidos e ricos. A promessa trazida da China ganha ainda menos respaldo ao recordarmos as recentes nacionalizações realizadas pelo governo de Cristina.

A maior delas foi no ano passado. A presidente Cristina Kirchner decidiu expropriar 51% da petrolífera de capital argentino e espanhol Repsol-YPF. A empresa havia sido privatizada em 1990. A justificativa de Cristina soou contraditória: “Não se trata de estatização, mas de recuperação da empresa, que passará a ser controlada pelo Estado argentino.”

Essa possível proposta de parceria da China, portanto, traz nova luz ao momento delicado de Buenos Aires: ao mesmo tempo em que tenta manter a fachada nacionalista, não pode mais recusar capitais estrangeiros. E o que, por sua vez, parece mal iluminada é a garantia dada pelo governo argentino, capaz de fazer com que os chineses fechassem um acordo no valor de US$ 5 bilhões, apesar dos episódios recentes.

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