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Imprensa dos EUA destaca pedido de recuperação da OGX como o maior da AL

Jornais americanos repercutem o anúncio da petroleira

Nayara Fraga

30 de outubro de 2013 | 18h57

Por Altamiro Silva Júnior, de Washington

O pedido de recuperação judicial da petroleira OGX, do empresário Eike Batista, é destaque nesta tarde nos dois maiores jornais dos Estados Unidos, onde estão alguns dos credores estrangeiros da empresa. O New York Times tem uma ampla reportagem sobre a história em sua página na internet, destacando que é o maior pedido do tipo já feito na América Latina. O Wall Street Journal cita o interesse da companhia de buscar uma reestruturação de suas finanças e ressalta que a companhia levantou “bilhões de dólares” nos últimos sete anos no mercado para explorar petróleo e gás e não teve o sucesso esperado.

“O pedido (de recuperação judicial) é uma queda impressionante para Batista, que já foi o símbolo da rápida ascensão do Brasil como uma potência econômica global”, destaca o Times. O jornal cita duas grandes gestoras norte-americanas, a Pimco, a maior do mundo em bônus corporativos, e a BlackRock, maior gestora do mundo, que aplicaram em papéis da OGX e podem perder caso a empresa seja liquidada.

O WSJ destaca, também em uma extensa matéria, declarações ao jornal dadas pelo advogado da empresa, o carioca Sérgio Bermudes, em uma entrevista por telefone, na qual ele acredita que a OGX pode resolver seus problemas financeiros. “Essa companhia tem muitos ativos e pode formar parcerias com outras empresas”, destaca o jornal na reportagem em sua página na internet, citando que os bônus da petroleira já perderam 90% de sua valor de face.

Se a recuperação judicial for aceita, o WSJ destaca que a empresa terá 60 dias para apresentar uma proposta de reestruturação de suas finanças. Os credores terão então 30 dias para aprovar (ou não) o plano.

Já o Times cita uma reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, que revela que, de aproximadamente 4 mil empresas que pediram recuperação judicial, desde que o procedimento foi estabelecido no Brasil em 2005, apenas 1% teve êxito em sair do processo.

O Times e o WSJ relembram em seus textos a crise por que passa o empresário Eike Batista. No caso da OGX, citam que a empresa gastou bilhões de dólares em buscar petróleo e acabou não sendo bem sucedida. O Wall Street Journal cita que a empresa levantou US$ 8 bilhões em ações e dívida e deve por volta de US$ 5 bilhões, enquanto seus ativos são avaliados na metade desse valor, de acordo com números da própria OGX.

O Times ressalta ainda que Eike Batista ganhou fama internacional com sua intenção de construir um “império de energia, mineração e logística”, mas nenhuma de suas empresas conseguiu se tornar lucrativa a tempo de fazer face aos bilhões em dívida que tomou no mercado. A fortuna do empresário, que chegou a superar US$ 30 bilhões no ano passado, agora é estimada em “bem menos” de US$ 1 bilhão, segundo o jornal de Nova York.

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