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Índice Big Mac aponta real sobrevalorizado em mais de 10%

Moeda brasileira teria que cair 12% para o produto chegar ao preço registrado nos EUA

Carla Miranda

26 de julho de 2012 | 15h32

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O famoso índice Big Mac, da revista The Economist, sugere que o real, apesar da alta recente, ainda estaria sobrevalorizado em mais de 10% em relação ao dólar, moeda usada como referência nessa pesquisa.

O indicador consiste em comparar o preço do sanduíche mais famoso do McDonald’s em diversos países. No Brasil, esse produto saía por US$ 4,94 no momento em que foi feita a pesquisa – publicada na edição desta semana da revista. Nos Estados Unidos, cuja moeda é usada como referência indicar sobrevalorização ou subvalorização das demais, o hambúrguer custava US$ 4,33 (reproduzo aqui abaixo o gráfico da Economist).

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A ideia desse índice embasa-se na teoria da paridade do poder de compra, segundo a qual pode-se ajustar a taxa de câmbio para que um bem ou uma cesta de bens tenha o mesmo preço em diferentes países.

Por exemplo, se hoje, com o real a US$ 0,49, o Big Mac custa US$ 4,93, então a moeda brasileira precisaria cair 12% (para US$ 0,43) para que o sanduíche feito no País atingisse o mesmo preço em dólares daquele feito nos EUA. Visto de outra forma, o dólar deveria subir 14%, para US$ 2,33.

Quando a comparação é com países onde a moeda está desvalorizada, a diferença é muito maior. Para o Big Mac brasileiro chegar ao mesmo preço do chinês em dólares (que custa apenas US$ 2,45), o real deveria cair 51%, para US$ 0,24. Ou o dólar subir mais de 100%, para US$ 4,17.

É claro que ninguém está pensando em exportar Big Macs. Mas esse produto, por existir em quase todo o mundo e de modo normalmente padronizado, dá uma ideia da diferença de custo de produção nos diversos países. Da mesma forma que o sanduíche do McDonald’s é mais barato na China, diversas outras mercadorias – inclusive as comercializáveis no mercado internacional – também o são.

Mas vale aqui fazer uma ressalva: o Índice Big Mac não pode ser usado como um parâmetro definitivo para saber se uma moeda está valorizada ou desvalorizada. Se o sanduíche – ou qualquer produto – é mais caro em um país do que no outro, o câmbio não é o único responsável. Outras variáveis, como impostos, produtividade e custos diversos, também podem tornar um país mais ou menos competitivo.

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