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‘Sem valor’, ações da parte falida da GM saltam 64% neste ano

Investidores ignoram alerta de órgão público de que papéis não têm nenhum valor

Carla Miranda

19 Janeiro 2010 | 09h20

“O mercado não pode regular a inteligência dos investidores.” Por trás dessa sentença sarcástica, proferida por um analista de nome Cromwell Coulson e publicada no site do jornal Financial Times, há um fundo de verdade.

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Há muita gente comprando ações da banda falida da General Motors. Ao longo desta primeira quinzena do ano, até sexta-feira (15), os papéis da parte inútil da GM subiram 64%.

Só no dia 15, 10 milhões de ações da Motors Liquidation Company – como foi denominado o lado estragado da GM – foram negociadas, fechando o pregão com alta de 3%, o que dá à empresa um valor de mercado de US$ 500 milhões. No mesmo dia, o índice Dow Jones, referência da bolsa de Nova York, caiu 0,94%.

A SEC, órgão público encarregado de fiscalizar o mercado, expressou claramente por meio de comunicado que as ações “não têm valor para acionistas comuns no processo de liquidação de falência, mesmo no mais otimista dos cenários”. O Financial Times lembra ainda que a própria GM reestruturada – a parte boa – também fez a mesma advertência aos investidores.

A companhia foi criada após o estouro dos problemas financeiros internacionais, quando a GM mergulhou em uma crise profunda. Na ocasião, a fabricante de automóveis foi dividida em duas partes: uma boa, que foi comprada pelos governos dos EUA e Canadá (juntos, os dois países têm hoje quase três quartos da nova GM), e uma ruim, que pediu proteção na lei de falências.

Mas por que ainda tem gente que compra essas ações? Coulson, presidente de uma instituição que opera os papéis, acredita mesmo que uma pequena parte dos compradores ainda não sabe que a Motors Liquidation é a banda falida da GM.

Outra parte dos compradores, diz Coulson, é de pessoas que já tinham esses papéis e os venderam no susto durante a crise, e acreditam que se desfizeram deles a um preço muito baixo. A companhia, apesar de falida, ainda mantém um patrimônio com 200 propriedades e cerca de 500 mil contratos abandonados pela GM boa.

Por último, mas talvez a parte mais importante, há os investidores profissionais, “day traders” (que compram papéis e os vendem no mesmo dia), que aproveitam o fato de as ações terem alguma liquidez para tentar ganhar algum dinheiro em operações de curtíssimo prazo. É verdade que muitos analistas já disseram que esses papéis não têm valor; mas não se pode dizer que não têm preço – atualmente, está em US$ 0,77.

 Leia a reportagem no site do Financial Times (em inglês)