Investidores têm motivos para temer pela economia mundial
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Investidores têm motivos para temer pela economia mundial

Até que a recuperação da economia global encontre lastro, os investidores podem esperar mais longas noites de insônia

Economia & Negócios

17 de outubro de 2014 | 14h50

 

Mercado enfrenta dias tensos por causa da incerteza sobre rumos da economia mundial (Foto: AP)

Mercado enfrenta dias tensos por causa da incerteza sobre rumos da economia mundial (Foto: AP)

Bloomberg News/Editorial

Sempre foi mais fácil explicar o que ocorreu no mercado hoje do que prever o que ocorrerá amanhã. Assim, depois que o Índice 500 da Standard & Poor’s teve sua mais acentuada queda num dia de negociações desde 2011, não faltaram explicações: tudo foi evocado, desde o medo da inflação na Alemanha até a ansiedade envolvendo o Ebola.

A verdade é simples e mais mundana: os investidores têm se assustado com facilidade no momento, e com motivo. A expansão econômica global deveria estar ganhando força.

Os Estados Unidos lideraram o retorno com uma recuperação que foi lenta e vacilante – sem deixar de ser uma recuperação. Seria de se esperar que o aumento na confiança nos EUA abastecesse a demanda doméstica e, ao atrair importações, ajudasse a Europa e outras regiões a acelerar o ritmo de suas próprias economias.

Esse círculo virtuoso ainda não está funcionando. Principalmente, o antes incansável consumidor americano ainda não está celebrando. Uma surpreendente queda nas vendas do varejo nos EUA em setembro (apesar dos novos iPhones) foi o gatilho imediato que fez o alarme soar. Novos e frustrantes números para a produção manufatureira nos EUA e preços ao produtor sublinharam este panorama.

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Essas medidas são de natureza volátil e, em outras circunstâncias, poderiam ser desconsideradas. E, se os investidores estivessem de humor melhor, a recente queda no preço do petróleo, citada esta semana como outra causa de preocupação, poderia ser recebida como boa notícia – coisa que de fato é.

A energia barata aumenta a renda real e confere aos consumidores maior poder de compra. Ceteris paribus, também traz uma queda na inflação, dando aos bancos centrais mais espaço para prorrogar seus esforços nada ortodoxos para sustentar a demanda.

Infelizmente, contexto é tudo. Com o afrouxamento quantitativo nos EUA chegando ao fim, os investidores estão nervosos com a respeito do momento escolhido pelo Federal Reserve para agir sobre os juros. Isso coloca a influência deflacionária do preço do petróleo sob uma luz mais ameaçadora.

Pior: enquanto a economia americana dá um passo adiante, a zona do euro dá dois saltos para trás. Em agosto, a produção industrial alemã viu sua maior queda em cinco anos. A zona do euro está flertando com a franca deflação – e, nesse momento inoportuno, o presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, perdeu seu dom de assegurar os investidores com palavras em vez de atos. No momento, o BCE não tem planos para começar um afrouxamento quantitativo ao estilo do Fed.

O banco precisa de um plano do tipo, e logo. Mesmo sem isso, nos EUA e na economia global, não há risco grande de recessão – mas a expansão poderia e deveria ser mais forte. O fed pode ajudar ao sublinhar que a política monetária será apertada somente quando a inflação estiver subindo além da meta, e não antes. Onde for possível, os governos também podem gastar mais. Enquanto isso, até que essa recuperação tão atrasada encontre lastro, os investidores podem esperar mais noites de insônia./Tradução de Augusto Calil

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