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Líbia investiu US$ 1,3 bi em banco dos EUA em 2008, diz jornal

Goldman Sachs ofereceu a chance de o país africano se tornar um grande acionista

Carla Miranda

31 de maio de 2011 | 10h21

O fundo soberano da Líbia, controlado pelo líder Muammar Kadafi, deu US$ 1,3 bilhão ao grupo financeiro americano Goldman Sachs em 2008, informa o “Wall Street Journal“.

Depois que os Estados Unidos reduziram sanções à Líbia, em 2004, o país norte-africano se aproximou de grandes bancos internacionais. Em 2007, ofereceu ao menos US$ 150 milhões a cada uma de 25 instituições financeiras.

Além do Goldman, o fundo soberano fez negócios com Société Général, HSBC, JP Morgan e o Lehman Brothers, que mais tarde viria a quebrar. A Líbia deixava seu dinheiro sob administração dessas empresas. Naquela época, o fundo soberano líbio tinha US$ 40 bilhões.

Mas o caso do Goldman é o mais peculiar. O fundo fez, por meio do banco, um investimento em opções de moedas e ações de empresa no valor total de US$ 1,3 bilhão. Em fevereiro de 2010, essa aplicação estava em apenas US$ 25 milhões.

O tipo de investimento feito pelo fundo lhe dava direito de comprar moedas de países emergentes e ações de empresas diversas em uma data futura por um preço pré-estipulado. Se essas moedas e ações subissem mais do que o valor de compra previamente acertado, o fundo ganharia dinheiro. No entanto, veio a crise financeira internacional em setembro de 2008, e a Líbia perdeu grande parte do investimento.

Trípoli acusou o Goldman de desvirtuar o negócio e fazer operações com o dinheiro do fundo sem autorização. Executivos do banco tentaram abafar o caso com medo de que “a confusão se tornasse pública”, conta o “Journal”. Para repor a perda dos líbios, o Goldman chegou a oferecer ações no valor de US$ 5 bilhões. O banco pagaria ao fundo entre 4% e 9,25% ao ano sobre o valor desses papéis, ao longo de 40 anos.

Mas, diante da quebra do Lehman Brothers, a Líbia não aceitou a proposta. O Goldman e o fundo soberano negociaram vários outros tipos de acordos, mas nenhum deles foi concluído, sempre segundo o “Journal”. Neste ano, o governo dos Estados Unidos congelou US$ 37 bilhões em ativos da Líbia, incluindo recursos que estavam sobre administração do Goldman.

Leia a reportagem no site do “Wall Street Journal” (em inglês)

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