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Lula diz à ‘Economist’ que pobre não quer sair da favela

Afirmação foi dada como exemplo de que as pessoas resistem a mudanças

Carla Miranda

30 de setembro de 2010 | 15h12

Atualizado às 15h36

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Foto: Epitácio Pessoa/AE

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em entrevista à revista britânica “The Economist”, que as pessoas em geral são tão resistentes a mudanças que “até quando você quer tirar alguém de um barraco caindo na favela, eles não querem sair”.

Lula deu um tom de autocrítica à afirmação ao, em seguida, contar que, quando morava na Vila Carioca, em São Paulo, em 1964, sua morada foi inundada e nem assim ele quis sair.

Ele contou o caso após uma pergunta sobre o fato de o governo não ter feito reforma tributária. Lula disse que as pessoas não gostam de mudanças, sejam elas de esquerda ou de direita, e deu o exemplo do favelado.

Lula afirmou que “inimigos ocultos” impediram a reforma tributária. Segundo ele, a proposta foi aprovada por unanimidade pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e depois todos os governadores concordaram com o texto.

No entanto, diz o presidente, quando o projeto foi enviado formalmente ao Congresso surgiram parlamentares contrários. Segundo Lula, eles se opunham à reforma devido a pedido de governadores, que não queriam mexer no ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, estadual).

Em relação à reforma política, Lula disse que ficou frustrado por não conseguir realizá-la e que, fora da Presidência, terá melhor oportunidade para atuar nesse sentido.

Pós-mandato

Lula disse que, após o mandato, vai continuar atuando politicamente dentro do Brasil, mas não deu detalhes. Acrescentou apenas que vai “deixar o próximo presidente governar, cometendo seus erros e acertos”.

Sobre atuação no exterior, ele reafirmou que “gostaria de contribuir com a América Latina e a África, com base nas experiências de sucesso do atual governo”.

Leia a entrevista no site da “Economist” (em inglês, para assinantes)

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