As informações e opiniões formadas neste blog são de responsabilidade única do autor.

Lula diz que BC pode subir juros apesar de eleições

Em entrevista presidente falou também o que pretende fazer após o mandato

Carla Miranda

23 de julho de 2010 | 11h24

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse em entrevista ao jornal Brasil Econômico que o Banco Central pode elevar a taxa básica de juros, “se necessário”, apesar das eleições de outubro.

“Não é porque estamos em ano eleitoral que não subiremos os juros se for necessário”, afirmou o chefe do governo.

—-
Siga o Radar Econômico no Twitter: @radar_economia
—-

A declaração rebate a hipótese, levantada reservadamente por  alguns analistas do mercado financeiro, de que teria havido uma intervenção política na mais recente decisão do Banco Central sobre a taxa de juros, como relatou o jornalista Fernando Nakagawa no Estadão.

“Não queremos mais a volta da inflação. Até 5% anuais é uma taxa suportável”, afirmou o presidente ao Brasil Econômico.

Projetos pós-mandato

“A partir de 1º de janeiro de 2011, serei um militante do meu partido, o PT, e vou batalhar junto pela reforma política todo dia”, disse Lula. Sobre sua intenção de atuar internacionalmente, como ele já havia afirmado ao Financial Times, acrescentou que a experiência brasileira pode “contribuir com a África e a América Latina”.

Carga tributária

O presidente disse que os 20 países mais pobres do mundo têm carga tributária de 11%, bem abaixo dos 34,5% do Brasil, mas ressalvou que naquelas nações “não existe Estado”. “Defendo uma reforma tributária porque quero alíquotas menores. Quero um sistema mais simples, que desonere a produção. Mas é dos impostos que sai o dinheiro para executar nossas políticas”.

BNDES maior que Bird

Sobre a polêmica de financiar o BNDES com recursos do Tesouro Nacional, o que eleva a dívida interna, Lula respondeu: “Quero que ele (o BNDES) seja dez vezes maior que o Bird (Banco Mundial. Não quero merrequinha, quero um BNDES internacional”.

ECONOMIA NO FACEBOOK
Visite a página de Economia do Estadão no Facebook, clique em ‘curtir’ e receba notícias como esta

http://www.facebook.com/economiaestadao

Crise na Europa

Lula criticou a atuação da Europa na crise: “Demoraram muito para ajudar a Grécia, um país pequeno que não poderia ter causado o impacto que causou”. Mas declarou que, agora, a região fez uma “articulação séria, que garante uma aferição sobre os títulos podres em poder dos bancos”.

Presos políticos

Na entrevista, o presidente foi confrontado com uma pergunta sobre o apoio do governo a países controlados por ditaduras. A resposta: “As pessoas que estão presas acham que podem contar com a defesa de todos que estão do lado de fora. Quando fui preso, não tive a solidariedade de todos. Mas é óbvio que gostaria que não houvesse preso político em nenhum lugar do mundo.”

Leia a entrevista na ítegra no site do Brasil Econômico

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.