Magnata chinês da internet acusado de pirataria reage ao Partido Comunista
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Magnata chinês da internet acusado de pirataria reage ao Partido Comunista

Jack Ma, ex-professor que fundou o site de comércio eletrônico e tornou-se o homem mais rico da China, enfrenta o governo após ter sido questionado sobre as práticas e a ética do seu negócio

Economia & Negócios

04 Fevereiro 2015 | 13h44

Jack Ma

Jack Ma, ex-professor que fundou o site Alibaba e tornou-se o homem mais rico da China (AP)

BLOOMBERG NEWS

Jack Ma 1 x 0 China. Esse parece ser o placar da disputa curiosamente pública entre o bilionário da Alibaba e Pequim. É raro um magnata chinês reagir quando o Partido Comunista questiona as práticas e a ética do seu negócio, e ainda mais bem diante do olhar da mídia jornalística internacional. Mas Ma está defendendo suas posições, e o governo diminuiu as críticas que acusavam a Alibaba de vender artigos falsos em seu site de comércio eletrônico.

Entretanto, isso não é indício de uma melhoria geral nas condições para as empresas na China. O caso da Alibaba é único.

Pequim adora uma história doméstica de sucesso, e nenhuma pode ser melhor do que a fábula da ascenção de Ma, que era professor escolar e se tornou o homem mais rico da Ásia.

Desde o momento em que se tornou o objeto da maior oferta pública inicial da história, a Alibaba se tornou a porta-bandeira da promessa do presidente Xi Jinping de abraçar o capitalismo, dar mais poder ao empreendedorismo e nivelar a arena corporativa.

Além disso, Ma está gerando empregos em milhares de pequenas e médias empresas e ajudando a acelerar a guinada de Xi em direção a uma economia comandada pela demanda do consumidor. Muitos países falam obsessivamente nas empresas consideradas grandes demais para falir. Para a China, Ma estaria apostando que a Alibaba é importante demais para ser perturbada.

Mas há várias razões pelas quais a gigante do comércio eletrônico deve enfrentar anos difíceis no futuro imediato. Abaixo vamos analisar os dois desafios mais imediatos.

Em primeiro lugar, o risco político está aumentando. É verdade que este confronto teve um desfecho positivo para a Alibaba. Mas ninguém sabe se os problemas da empresa são uma disputa com uma agência específica,  Administração Estatal para a Indústria e o Comércio, ou uma briga mais generalizada com o governo chinês.

Caso seja a segunda alternativa, Ma e seus investidores voltarão a ter notícias do opaco e imprevisível sistema regulatório chinês. A situação da Alibaba é emblemática de como o risco para os empreendimentos na China está aumentando, apesar dos comentários de Xi no sentido contrário.

A Alibaba funciona de acordo com os humores do Partido Comunista de Xi, uma entidade sigilosa que pode se voltar contra qualquer titã corporativo, por qualquer motivo, a qualquer momento. É irônico que a China persiga a Microsoft e a fabricante de chips Qualcomm por suposta formação de monopólio, mas permita que Ma domine praticamente todos os mercados online. Basta um passo em falso ou uma leve desavença com uma figura importante do Partido Comunista para que a Alibaba se veja envolvida num processo de quebra de monopólio.

A investida de Ma no segmento dos serviços bancários online também pode colocá-lo em desavença com líderes do partido interessados em proteger o mercado dos bancos de propriedade estatal. Se a rival Tencent – dona do onipresente serviço de mensagens WeChat – subitamente tiver mais amigos do que Ma em Pequim, os investidores só descobrirão quando for tarde demais.

Jack Ma, ex-professor que fundou o site Alibaba e tornou-se o homem mais rico da China (AP)

Jack Ma, ex-professor que fundou o site Alibaba e tornou-se o homem mais rico da China (AP)

O segundo grande risco é a economia da China. A notícia que o setor manufatureiro teve contração pela primeira vez em mais de dois anos levou os mercados a pedirem insistentemente por mais estímulo. Mesmo após o pacote de gastos do governo avaliado em US$ 1,1 trilhão, os investidores temem que Pequim não esteja fazendo o bastante para manter o crescimento na casa dos 7% (em 2014 o crescimento foi de 7,4%). A queda do Índice dos Gestores de Compras de 50,1 em dezembro para 49,8 em janeiro certamente vai aumenta a pressão sobre Xi e o banco central chinês para que façam mais.

O mais fraco crescimento na produção industrial desde a crise global de 2008 é um perigo real e imediato para o desempenho da Alibaba em seus primeiros anos como empresa de capital aberto. Se a renda da Alibaba abaixo da expectativa (foi de US$ 4,2 bilhões) desapontou os investidores globais, imagine qual será a reação quando o crescimento desacelerar para 6% ou até menos.

A Alibaba sempre prometeu ser uma central única para as compras daqueles que desejam se aproveitar do crescimento da classe média na China (o site já tem mais de 500 milhões de assinantes). Para os investidores de todo o mundo, trata-se de uma maneira de ganhar dinheiro com o crescimento meteórico das indústrias chinesas que vão dos serviços bancários ao turismo, passando pelo entretenimento. Mas a oferta pública inicial da Alibaba em setembro chegou para coroar a prosperidade econômica da China. Mais ou menos na mesma época, os dados do comércio, petróleo e vendas no varejo começaram a enfraquecer bastante.

Além de suportar as dificuldades da economia global – incluindo a deflação na Europa – Xi busca controlar mais o investimento e crédito excessivos que vão interferir no lucro de Ma. A incerteza econômica da China e seus reguladores imprevisíveis tornam mais difíceis as previsões do rumo que a mais chamativa empresa da China irá seguir./Tradução de Augusto Calil

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