Manequim inteligente sugere a melhor roupa para o freguês
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Manequim inteligente sugere a melhor roupa para o freguês

Equipamento oculto faz uma varredura volumétrica do corpo do cliente, analisa o banco de dados do estoque e faz recomendações via mensagem de texto de peças mais adequadas disponíveis

Economia & Negócios

19 Dezembro 2014 | 18h42

Manequins chamam clientes e sugerem peças de vestuário para clientes (NYT)

Manequins chamam clientes e sugerem peças de vestuário para clientes (NYT)

THE NEW YORK TIMES

Os manequins querem nos dizer algo. Sim, eles se parecem com todos os outros: corpos artificiais de rostos sem traços que pareceriam assustadores num museu escuro à noite.

Mas eles podem nos chamar de fora da loja, enviando mensagens aos nossos celulares e transmitindo fotos das peças que estão exibindo. Estão entre os mais novos esforços da combalida indústria do varejo para afastar os compradores da internet e trazê-los de volta às lojas físicas.

“Decidimos que era necessário criar uma forma de trazer o bom e velho manequim para o século 21”, disse Jonathan Berlin, diretor administrativo da Universal Display, empresa que vende manequins com implantes eletrônicos.

Se houvesse algo como um especialista em manequins, Berlin seria a pessoa mais indicada. Ele comprou a Universal Display de seu pai, que em 1951 tinha assumido o negócio antes pertencente ao padrasto, fundador.

Berlin trabalha com a empresa há quase três décadas, vendendo manequins para a Uniqlo, Lord & Taylor, Saks e outros varejistas americanos. Há cerca de um ano, Berlin e seu sócio, Adrian Coe, tiveram a ideia de inserir sinalizadores eletrônicos no seu produto, pequenos transmissores que podem se comunicar com o celular.

Berlin e Coe criaram outra empresa, Iconeme, dedicada apenas aos sinalizadores, que interagem com os usuários por meio do aplicativo da empresa. Os compradores podem ver o que os manequins da loja estão usando, quem é o estilista que assina as roupas e o seu preço. Sem vontade de procurar entre os itens da loja para encontrar algo? Pode-se até fazer compras usando o aplicativo.

Para alguns, pode parecer que a Iconeme foi criada para acabar com a graça das compras. Mas Berlin diz que muitos querem poupar tempo, adoram usar seus smartphones e, às vezes, precisam de ajuda para escolher a roupa.

“Alguns não se sentem seguros o bastante para combinar peças”, disse ele. “Acho que muitos precisam de inspiração.”
A Iconeme não é a única empresa tentando usar a tecnologia para ajudar as pessoas a fazer compras nas lojas. Uma empresa chamada MyBestFit criou quiosques que rapidamente fazem uma varredura volumétrica do corpo do freguês, analisando o banco de dados do estoque e fazendo recomendações.

Depois que tiveram a ideia, Berlin e Coe, um escultor que trabalhou para a Universal nos 20 anos mais recentes, tiveram que descobrir onde seria melhor ocultar o pequeno sinalizador cilíndrico no manequim. Se abrissem a cabeça, a fissura resultante daria a impressão de uma lobotomia. Outras partes do corpo não oferecem boa receção.

“Tentamos diferentes pontos do corpo”, disse Coe. No fim, eles optaram pelo pulso. Os manequins podem enviar um sinal para pessoas num raio de 30 metros da loja, tentando atraí-las. “Depois de trazê-las para dentro da loja, metade da batalha já foi ganha“, disse Berlin.

O primeiro manequim da Iconeme com transmissor entrou em funcionamento na Grã-Bretanha em agosto. Desde então, cerca de 3.500 pessoas baixaram o app da empresa, disse Berlin. A tecnologia dos sinalizadores já é popular entre os varejistas de Regent Street, região de lojas de alto padrão em Londres, que já usam sinalizadores para chamar os compradores com promoções e anúncios.

Ele disse que três varejistas americanos estavam testando seu produto, mas não revelou quais, citando cláusulas de confidencialidade. Berlin espera que as farmácias e lojas de produtos para o lar também se interessem pelo uso de seus produtos para anunciar artigos variados.

Manequins enviam mensagens pelo celular, convidando clientes a entrar na loja (NYT)

Manequins enviam mensagens pelo celular, convidando clientes a entrar na loja (NYT)

Após o colapso econômico de 2008, alguns varejistas enfrentaram vendas lentas e declínio no número de visitantes nas lojas, enquanto muitos consumidores passavam a fazer compras online. Redes americanas antes poderosas, como Sears e J. C. Penney, afundaram, e até a Walmart, maior rede de varejo do mundo, teve que desenvolver novas linhas de negócios para atrair os fregueses às lojas.

Berlin diz que as dificuldades maiores da indústria do varejo não afetaram sua empresa. A Universal vende cerca de 35 mil manequins por ano, disse ele, e a atividade teve alta de 42% ante o ano anterior.

Mas, como o panorama mudou, os manequins também mudaram. Concorrendo para atrair os fregueses, alguns varejistas se voltaram para estilos provocadores para atrair os consumidores com poses, rostos e formatos inesperados.

A Silvestri California, fabricante de manequins personalizados, vende modelos com cabelo extravagante e outros inspirados no Expressionismo alemão. “Nossa proposta é mais ou menos a mesma, mas há mais pessoas ouvindo”, disse Thomas Reistetter, presidente da Silvestri.

A italiana Almax chegou a criar um modelo com câmeras incorporadas aos olhos para melhor identificar aquilo que atraía o olhar dos fregueses. “Não sei se já temos informações a respeito disso em volume suficiente para dizer se a abordagem funciona ou não”, disse Glenn Sokoli, professor assistente do Fashion Institute of Technology, a respeito de alguns dos avanços técnicos. “Acho que o pêndulo oscila para ambos os lados, e há momentos em que manequins realistas se tornam muito populares.”

Originalmente, os estilistas usaram os manequins no início do século 20 para ajudar na alfaiataria. Com o tempo, a forma dos manequins evoluiu para algo mais vivo, mudando de estilo para acompanhar as modas e gostos culturais.
“Por que os manequins são todos iguais?” indagou Reistetter. “Se andarmos pela Quinta Avenida, veremos que as lojas se esqueceram que, para sobreviver enquanto entidade com um endereço físico, é preciso ser diferente.”
/Tradução de Augusto Calil

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