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Mantega diz que Fed é ‘protecionista’ ao imprimir dinheiro

Em entrevista a jornal britânico, ministro da Fazenda critica medidas dos EUA

Carla Miranda

20 de setembro de 2012 | 19h09

A decisão do Federal Reserve de criar US$ 40 bilhões por mês foi classificada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, em entrevista ao Financial Times, como uma medida “protecionista”.

Para o ministro, o programa chamado de Quantitative Easing, “terá apenas efeito marginal (nos Estados Unidos) uma vez que já não há mais escassez de liquidez e que a liquidez não está indo para a produção”. Mantega acrescentou que a medida deprecia o dólar e aumenta as exportações dos EUA.

Na opinião do ministro, o fato de o Japão ter tomado decisão semelhante, de relaxamento quantitativo, logo após os EUA evidencia o que ele chama de “guerra cambial”. O banco central japonês decidiu na quarta-feira comprar títulos públicos no valor de US$ 128 bilhões, colocando mais dinheiro na economia.

Abaixo, trechos das declarações de Mantega ao jornal britânico.

“Empresas japonesas estão reclamando da taxa de câmbio. Se um dólar mais fraco gerar aumento na competição comercial, isso forçará o Brasil a adotar medidas para impedir a valorização do real.”

“Eu diria que hoje a moeda está em um valor razoável – ainda sobrevalorizada em relação a uma cesta de parceiros comerciais, mas no atual nível está ajudando a tornar as empresas brasileiras mais competitivas.”

“Os Estados Unidos, a Europa e o Reino Unido são mais protecionistas do que o Brasil.”

A entrevista vem logo depois de uma carta que a Casa Branca enviou ao ministro das Relações Exteriores do Brasil, Antonio Patriota, reclamando de aumento de tarifas sobre importação de produtos americanos.

Na correspondência, o representante do Comércio dos EUA, Ron Kirk, afirma que “repetidos e crescentes aumentos de tarifas focados nos EUA vão manchar as percepções a respeito da cooperação mútua para facilitar o comércio de bens industriais”.

 

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