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Missão do BC ficou ‘obscura’, diz revista ‘The Economist’

Reportagem levanta a hipótese de o BC ter adotado outras prioridades, como crescimento

Carla Miranda

27 de outubro de 2011 | 19h30

Com certo atraso, a revista “The Economist” engrossou o coro dos críticos da política monetária do Banco Central do Brasil.

Em reportagem na edição mais recente, o semanário afirma que a missão do BC está sendo “manchada”, ou seja, que não se sabe mais ao certo se existem outros objetivos além de manter a inflação dentro da meta. “O Banco Central está focado no crescimento [econômico]?”, pergunta a revista.

A publicação lembra que a autoridade monetária reduziu a taxa básica de juros no fim de agosto apesar de a inflação estar três pontos acima do centro da meta, que é de 4,5% ao ano.

A revista levanta a possibilidade, ainda, de o BC também ter colocado como prioridade o objetivo de evitar uma sobrevalorização do real.

Atraso

A revista aborda o assunto num momento em que a poeira começava a baixar. De fato, as críticas às decisões do BC – que já reduziu o juro básico em um ponto percentual desde 31 de agosto – persistem. No entanto, já não são mais tão fortes como estavam no início de setembro.

O relatório Focus, que mostra as projeções de cerca de cem instituições financeiras sobre a economia, informa em sua edição mais recente que metade dos analistas consultados prevê que a inflação fique no teto da meta do governo (6,5%) ou abaixo disso (uma pequena melhora em relação à edição anterior da pesquisa, feita uma semana antes). A outra metade acredita que os preços devem subir mais do que isso.

O Focus mostra, portanto, que o mercado está dividido em relação à possibilidade de a inflação ficar abaixo do teto da meta neste ano. Quando o BC reduziu a Selic (juro básico) em 0,5 ponto no fim de agosto, a oposição à autoridade monetária erabem mais evidente. Era difícil, naqueles dias, encontrar uma análise que não considerasse exagerado o corte no juro feito pelo BC.

Foi naquela semana se aventou a possibilidade de a autoridade monetária ter perdido autonomia. Essa mancha na credibilidade do BC, de fato, ainda não foi totalmente removida; apenas passou-se a falar menos sobre ela.

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