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Os EUA dependem da China? Veja Índice da Sinodependência

Indicador mede relação entre empresas americanas e mercado chinês

Carla Miranda

28 de outubro de 2010 | 16h03

Agora que o Índice Big Mac já é pop e mundialmente conhecido, a revista britânica “The Economist” vem com mais uma inovação curiosa e que pode causar polêmica: o Índice da Sinodependência, uma tentativa de medir o desempenho das ações das empresas americanas que mais dependem do mercado chinês.

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Anunciado na atual edição da revista, o indicador seleciona 22 empresas que fazem parte do Índice S&P 500, um dos principais da Bolsa de Nova York.

Para entrar no Índice da Sinodependência, a companhia precisa fazer parte do S&P 500, ter um certo nível de capitalização e ter também uma grande parte da sua receita proveniente da China. Fazem parte do indicador companhias como Intel e Qualcomm (fabricantes de chips), Yum! Brands (dona da marca KFC, entre outras), Boeing (de aviões) e Corning (do setor de vidro).

O Índice da Sinodependência chegou a ter um desempenho mais de 10% superior ao S&P 500 em 2009, mostrando que, naquele ano, as ações de empresas com grande dependência da China subiram mais. Lido de outro modo, poderia ser dito que, naquele período, investidores faziam boa avaliação do setor da economia americana que depende mais da China.

No entanto, em abril deste ano o S&P 500 alcançou o Índice da Sinodependência (o motivo, segundo a “Economist”, seria a nascente bolha imobiliária na China). Dito de outra forma, os investidores (que, ao comprar e vender ações, determinam o preço delas) acreditam que o segmento da economia dos EUA que mais depende do país asiático não está melhor do que o setor menos dependente.

China é indispensável?

O indicador criado pela revista é apenas mais um argumento dentro de uma reportagem intitulada “[A China] É uma economia indispensável?”, que questiona a importância que tem sido dada ao país asiático. “A China pode não importar tanto você pensa”, diz o subtítulo da reportagem.

O país asiático, de fato, se tornou um importador relevante do Brasil e da Austrália, entre outros. No entanto, essas nações não dependem tanto das exportações. No Brasil, por exemplo, as vendas à China equivalem a apenas 1,2% do PIB (Produto Interno Bruto); na Austrália, a 3,4%.

Ainda, a China tem aumentado também suas exportações, o que significa que, ao longo do tempo, muitos países que intensificaram o comércio com o país asiático perderam saldo comercial.

É verdade que algumas economias da Ásia têm uma dependência considerável em relação à China, como Taiwan e Coreia do Sul. Mas o que o gigante regional faz é comprar peças desses países para montá-las e depois revendê-las, o que significa que a China não é responsável pela demanda por essas mercadorias; é apenas uma mediadora de uma demanda gerada por outros países.

Esses argumentos da “Economist”, é preciso que fique claro, não têm o objetivo de mostrar que a China não tem importância. A revista apenas alerta que “não é impossível” ver análises que exageram o peso do país asiático no mundo.

A reportagem completa está no site da “Economist” (em inglês, para assinantes)

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