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Pacificação de favelas revoluciona ‘funk’, diz ‘El País’

Alcides Leite, colaborador do Radar, nota, ainda, alta do preço do imóvel

Carla Miranda

23 de fevereiro de 2011 | 10h30

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Cerimônia de Troca de Guarda em favelas do Rio, dia 18 (foto: Tasso Marcelo/AE)

 

alcides_leite01.jpgA tentativa dos governos federal, estadual e municipal de pacificar as favelas do Rio de Janeiro mexe com o preço dos imóveis e com as letras do ‘funk’, como observa Alcides Leite (foto), novo colaborador do Radar Econômico. Ele chama atenção para uma reportagem do “El País” sobre o assunto.

Leite escreve:

“A pacificação das favelas cariocas, além de valorizar os imóveis e reativar a economia local, tem influenciado até a música nessas comunidades. Segundo reportagem do principal jornal espanhol, “El País”, a retomada dos territórios, antes ocupados pelos narcotraficantes, tem revolucionado o ‘funk’ carioca.

“Em vez de letras exaltando a violência e a promiscuidade sexual, têm surgido musicas com letras falando de paz e de esperança para os moradores locais. Exemplo disso é o ‘rap’ cantado pelo DJ Bola, que diz: ‘Favela livre; peço paz. Queremos ver nossos filhos crescer livre dos tiros’; e o ‘funk’ do MC Henrico, que canta: ‘O exemplo dos jovens é uma arma e um bandido. Ainda sonho em ver meu filho armado com um livro’.

“A valorização imobiliária e expansão das economias locais devem criar condições para a geração de emprego e renda às famílias das favelas. Isto faz com que o custo de oportunidade de trabalhar para o tráfico sirva de desestímulo para grande maioria dos jovens. O surgimento de letras de música de ‘rap’ e ‘funk’ condenando a violência é um importante sinal de que as coisas estão começando a mudar nas favelas do Rio.”

Alcides Leite, é professor de economia na Trevisan Escola de Negócios e inspetor-analista concursado do Banco Central. Autor de “Brasil: A trajetória de um país forte”.

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Agora, um comentário meu: o Estado, por meio da polícia ou do exército, não vai acabar com a angústia dos jovens que (como todos os seres humanos) não sabem o que estão fazendo nesse mundo, sofrem pressões de diversos atores sociais à sua volta e querem, por meio das drogas, testar seus limites e sua capacidade de percepção daquilo que a maioria das pessoas chama de realidade.

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