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Financial Times entrevista prefeito do Rio, Eduardo Paes

Ele disse que levará tempo para o Estado recuperar a soberania nas favelas

Carla Miranda

18 de maio de 2010 | 17h18

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‘Rio pronto para desafios olímpicos’, diz Financial Times

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, deu uma entrevista em vídeo para o site do jornal britânico Financial Times nesta terça-feira (assista).

O entrevistador, Jonathan Wheatley, queria saber o se a cidade estará preparada para as Olimpíadas de 2016 em vários aspectos, incluindo infraestrutura, transporte, corrupção e segurança pública.

Perguntado sobre transporte, Paes não hesitou em dizer que as linhas de ônibus de transito rápido estarão prontas até 2016. Quando o tema foi segurança, no entanto, a conclusão foi: “vai demorar para trazermos de a soberania do Estado de volta para essas áreas [favelas]”.  

A entrevista faz parte de uma série de reportagens chamada “O futuro das cidades“.

Leia trechos da entrevista:

Maior desafio para as Olimpíadas do Rio

“Temos um grande problema institucional que tem em todo o Brasil e é específico do Brasil: o fato de que há na cidade 6 milhões de habitantes, mas na área metropolitana há cerca de 12 milhões. Isso significa que temos que ter mais quadros institucionais para lidar com os problemas dessas.

“[Há] Grandes problemas no Rio em transporte e habitação. [Já] Um dos nossos maiores ativos é o ambiente, as condições naturais. Elas são um grande ativo econômico, não é questão de sustentabilidade.”

Favelas

“As favelas são uma realidade na nossa cidade. Foram construídas ao longo da história e não estamos planejando nos livrarmos das favelas. Muitas vão ficar onde estão. O que nós fazemos hoje é urbanizá-las. Mas há favelas onde muitas pessoas morrem quando chove forte. Nós temos fazer realocações nessas áreas. E pela 1ª vez em 30 anos o Brasil tem um programa federal, chamado Minha Casa, Minha Vida, no setor de habitação. É uma grande oportunidade para realocar as pessoas para lugares muito bons, próximos às favelas onde elas vivem.”

Segurança

“É o principal assunto. Pelo menos neste momento nós temos uma política pública de reocupar algumas áreas, principalmente favelas, que hoje são controladas por traficantes. Isso é para nós uma luz no fim do túnel. É uma política pública que nunca é fácil de fazer. Está avançando, demos importantes passos no ano passado e neste ano, mas vai demorar para trazermos a soberania do Estado de volta para essas áreas.”

Transporte

“Principal legado das Olimpíadas se refere aos transportes. Estamos construindo linhas de BRT (sigla para ônibus de trânsito rápido), que é muito mais barato que metrô. [O BRT] Foi criado em Curitiba e hoje existe na África do Sul, em Pequim, na Colômbia. No Rio, estamos construindo  122 quilômetros. Vai se tornar uma grande solução e obviamente nós estamos melhorando nosso metrô, mas é muito mais caro e levará tempo.”

Perguntado se o BRT vai estar pronto até 2016: “Sim, não tenho dúvida disso”.

Legado das Olimpíadas

“A vantagem das olimpíadas é o legado que deixará. O legado que nós podemos trazer para o cotidiano das pessoas, especialmente em relação à infraestrutura e aos transportes. As favelas estão relacionadas ao problema dos transportes. As pessoas querem viver perto de onde elas trabalham por causa da questão dos transportes.”

 Jogos Pan-Americanos

“No caso dos jogos Pan-Americanos, a questão era diferente. Nós tínhamos que provar que éramos capazes de sediar um grande evento esportivo. Não caso das Olimpíadas, trata-se muito mais de um legado de infraestrutura.”

Corrupção

“Acho que o Brasil está ficando muito melhor. Somos uma democracia consolidada. Os sistemas funcionam, o sistema judiciário funciona, o legislativo funciona. Há muito mais transparência, com imprensa livre. As coisas estão melhorando. Não se melhoram essas coisas de um dia para o outro, mas estamos melhorando muito. O que temos que fazer agora é aumentar mais a transparência, especialmente em relação às Olimpíadas. Temos um site mostrando todas as obras que queremos fazer, quanto elas custarão, quanto tempo levarão para serem construídas, de maneira que as pessoas possam acompanhar. Acho que estamos melhorando nisso.

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