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Para captar dinheiro, França paga maior prêmio desde 1999

Investidores cobram 2% para comprar papéis franceses em vez de alemães

Carla Miranda

17 de novembro de 2011 | 12h45

Atualizado às 14h58

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A França, segunda maior economia da Europa e quinta maior do mundo, cada vez menos tem sido vista como um porto seguro para investidores, mostram dados do mercado financeiro.

Uma notícia da Agence France Presse informa que os títulos de dez anos da França estão oferecendo aos investidores nesta quinta-feira um rendimento de mais de 2% em comparação com os papéis da Alemanha. Em outras palavras, os investidores só aceitam comprar papéis franceses em vez de alemães se tiverem um rendimento de 2%. Essa é a maior taxa desde que o euro foi introduzido, em 1999.

Dados de um leilão realizado nesta quinta-feira corroboram a afirmação da AFP. O país emitiu títulos públicos no valor total de 7 bilhões de euros, mas para isso, precisou oferecer um prêmio maior aos compradores desses papéis. A França agora remunera em 1,85% os títulos com vencimento em 2013 (no leilão anterior, de outubro, pagava 1,31%) e em 2,82% aqueles que vencem em 2016 (em outubro, eram 2,31%).

Essas taxas ainda são bem menores do que as da Itália e da Espanha, uma vez que a França é classificada com nota AAA pela agência de classificação de risco Standard & Poor’s. Tal notificação atesta que o risco de levar um calote do país ainda é praticamente nulo.

Mas economistas têm afirmado que, se os investidores continuarem nessa tendência, aumentando a desconfiança em relação à França, e se o país perder a nota AAA, a Alemanha sobrará, sozinha, como o único grande país europeu em condições de ajudar a economia da região, o que seria um peso muito grande mesmo para quem tem o quarto maior PIB (produto interno bruto) do mundo.  Essa tese apareceu nos jornais “The Washintgon Post”, nesta quinta-feira, e “Financial Times”, ontem, entre outros.

Profecia auto-realizável

O diretor de investimentos da Convictions Asset Management, uma gestora de recursos francesa, avaliou a situação da seguinte forma, no “Wall Street Journal”: “O aumento nas taxas de empréstimo vira uma profecia auto-realizável”.

Ou seja, mesmo se os investidores estiverem errados ao cobrar um prêmio alto pelos títulos da França, isso pode virar um problema para a economia real. Se o país paga mais para tomar dinheiro no mercado, os bancos locais também terão que desembolsar uma quantia maior para captar recursos com o governo; consequentemente, eles também cobrarão mais para emprestar aos consumidores e às empresas.

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