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Para Economist, Brasil encara a economia como o carnaval

Como no Carnaval, na política econômica o foco é o presente, não o futuro

Carla Miranda

11 de fevereiro de 2010 | 18h53

Atualizado 12/02/2010 às 10h03

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ALEMANHA: Corretores da bolsa de Frankfurt comemoram o Carnaval em fevereiro de 2009, mês de forte crise econômica (foto: Kai Pfaffenbach/Reuters)

A revista britânica The Economist publica uma reportagem na edição desta semana sobre a retomada econômica no Brasil e deixa implícito que um aspecto da cultura nacional pode levar o País a ter um crescimento menos vigoroso do que poderia.

Resumidamente, a revista considera que o governo poderia gastar menos no presente para ter um benefício maior no futuro. O texto apresenta um conjunto de dados já conhecidos no Brasil; a novidade é acrescentar a isso o estereótipo do brasileiro carnavalesco.

“O governo poderia gastar menos e abrir espaço para que as taxas de juros caiam. Ou poderia continuar gastando e vê-las (as taxas) se manterem altas, impedindo a sustentação de um ritmo de crescimento econômico em torno de 5% ao ano. Não é mal, se comparado até com o passado recente, mas não é tão bom quanto poderia. O Carnaval, por sinal, tem tudo a ver com aproveitar o presente e se esquecer do futuro.”

Sob o título “Aderindo ao espírito do Carnaval”, o texto começa falando sobre festa e termina falando sobre festa. O recheio é a economia brasileira. Para a revista, neste ano “os excessos estão na mente dos economistas e dos financistas”. O País deve crescer entre 5% e 6% neste ano, pressionando a inflação e levando o Banco Central a elevar a taxa básica de juros.

No mercado acionário, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) prevê grandes ofertas de ações neste ano, incluindo a Petrobrás, o Banco do Brasil e a OSX, esta de Eike Batista.

Com essa retomada, a revista nota que o Brasil pode ter dificuldades com a infraestrutura. O texto cita um dado da Folha de S.Paulo, de que o País deixa de ganhar US$ 1 bilhão por ano em exportações de soja por problemas portuários.

A revista elogia o fato de que reduzir os estímulos econômicos em ano eleitoral (no caso, a volta do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI) é sinal de “maturidade política”. Mas realça que o corte de IPI corresponde a 1% do Produto Interno Bruto. A maior parte do aumento de gastos feito pelo governo durante a crise foi voltada para o pagamento de servidores e as políticas sociais, e “não para construção de estradas, portos ou hospitais”, diz a Economist. O artigo traz um gráfico mostrando que, desde 2003, os gastos públicos sobem a uma taxa de 8% ao ano.

Nesse ritmo, a revista questiona se o governo conseguirá atingir a meta de poupar o equivalente a 3,3% do PIB, como propôs o ministro Guido Mantega (Fazenda). “Isso será difícil em ano de eleições, em que o Governo Federal habitualmente é espalhafatoso”.

Leia o artigo no site  da Economist (em inglês)

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