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Para jornais, Google ‘desafia’ China e corre risco no país

Empresa suspendeu a censura ao site local, redirecionando-o para Honk Hong

Carla Miranda

23 de março de 2010 | 09h43

Atualizado às 10h23

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Primeira página do WSJ: Google busca ‘frágil apoio’ em Hong Kong

A tentativa do Google de driblar a censura imposta pelo governo chinês é destacada nos principais jornais do mundo nesta terça-feira. Atualmente, existem cerca de 400 milhões de usuários de internet na China.

O fechamento do serviço de buscas www.google.cn não foi um recuo, mas um “arriscado e dramático ato de desafio” às autoridades chinesas, “que pode se transformar em um momento crucial na história dos negócios das empresas norte-americanas na China”, como afirmou o Wall Street Journal.

Esse desafio parece ter deixado o governo local “enfurecido”, abrindo a possibilidade não de resolver a questão, mas de uma “escalada” do conflito, como analisou o New York Times.

 Ontem à tarde (no horário de Brasília), o Google anunciou, por meio de seu blog oficial, que todos os acessos ao site www.google.cn (que sempre filtrou os resultados de busca conforme acordo com o governo chinês) seriam redirecionados ao www.google.com.hk, o site hospedado em Hong Kong e que não sofre censura. Esse site está escrito em “chinês simplificado” e tem o objetivo de atingir a população da china continental – justamente aquela que o governo quer censurar.

Segundo o Google, a operação é “totalmente legal”. Mas obviamente ela dribla a intenção das autoridades chinesas de filtrar os resultados de buscas. Para o Financial Times, o Google está correndo o risco de ser “esperto demais” na China. O próprio presidente de Tecnologia do Google, Sergey Brin, disse ao New York Times, a respeito de sua tentativa de se esquivar da censura: “Não podemos ficar completamente confiantes”.

A reportagem do Financial Times traz uma análise pouco otimista em relação ao Google na China. “Redirecionar o tráfego para Hong Kong é só um pequeno truque; superficialmente, o Google chutou a bola na corte chinesa, mas na verdade ele moveu-se em direção a um canto morto”, afirmou ao FT Fang Xingdong, um defensor da livre expressão e considerado um dos pioneiros em blog na China.

A agência de notícias Xinhua, do governo da China, disse que “o Google violou sua promessa escrita que fez quando entrou no mercado chinês [em 2006], ao parar de filtrar os resultados de buscas”. Um porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do país, Qin Gang, afirmou, por meio de outro texto da Xinhua, que o caso será tratado “de acordo com a lei”. Ele o considera um “ato isolado de uma empresa comercial”, e que não deve afetar os laços entre os EUA e a China, “a menos que a questão seja politizada” por outros.

“O que a China quer previnir na internet é o fluxo de informações que podem colocar em risco a segurança nacional, e os interesses da sociedade e do público”, afirmou Qin.

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