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Para ‘The Economist’, Dilma vive sua ‘hora da verdade’

Greve de servidores põe em risco projeto da presidente de corte de gastos públicos

Carla Miranda

16 de agosto de 2012 | 15h56

Atualizado às 17h31

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A revista britânica The Economist publicou uma ampla reportagem sobre a economia brasileira na edição que acaba de sair. Dividida em três textos, o introdutório tem o título “Hora da verdade para Dilma”.

Para o semanário, o governo está em um momento de mudança, passando de uma política de impulsionar a demanda do consumidor – de cortes pontuais de impostos, com efeito de curto prazo, e redução de juros – para uma de longo prazo, com foco no investimento e “privatização da infraestrutura”.

Nessa fase de transição, o governo tenta conter gastos públicos para poder reduzir a carga tributária e, consequentemente, o chamado “custo Brasil”. Mas enfrenta uma greve que atinge quase metade do funcionalismo público federal e é encampada pela Central Única dos Trabalhadores, definida pela revista como “um grupo poderoso de sindicatos com fortes laços com o PT”.

Em nenhum momento a reportagem diz com todas as letras, mas, nas entrelinhas, pode-se interpretar a mensagem de que, para a publicação, chegou o momento de a presidente mostrar de que lado está: se está disposta a ceder aos grevistas e ter que rever os planos de redução dos gastos públicos ou se vai ser dura e manter a linha de corte (ou diminuição do ritmo de aumento) das despesas .

Ao final de um dos textos, a revista diz: “Pressões sobre o orçamento podem significar que eles (os movimentos do governo para uma política de longo prazo) irão por água abaixo ou sofrerão atraso. Os empresários brasileiros devem ter esperança de que a senhora Rousseff mantenha a calma”.

No texto introdutório, a conclusão é até mais direta: “Restaurar o crescimento e a competitividade das empresas brasileiras combatendo o ganancioso Leviatã em Brasília é a melhor forma de ela (Dilma) conseguir um segundo mandato”.

Todo esse quadro descrito pela Economist pode ser lido na foto acima, de Dida Sampaio, da Agência Estado, tirada ontem (quarta-feira, 15), mostrando a presidente no meio de uma briga. No telão, Dilma apresenta parte do seu plano de “choque de capitalismo” a empresários. Ao fundo, grevistas protestam.

Gastos públicos

A Economist publicou dois gráficos sobre a economia brasileira. Um deles mostra que os gastos públicos crescem muito mais rápido que o PIB desde pelo menos 1995. Outro indica que metade das despesas é com pensões e 15%, com salários. Isso quer dizer que qualquer tentantiva de corte será marginal, ou então com efeitos apenas em longo prazo.

Olimpíada

O terceiro texto da Economist sobre o Brasil na edição atual fala da Olimpíada no Rio. Não traz muitas novidades para quem já acompanha as notícias sobre os preparativos para os jogos esportivos no Brasil. Mas tem um final curioso, com a conclusão de que, mesmo que o País não consiga se organizar direito, existe ao menos uma certeza, a de que “o Rio terá uma ótima festa, como acontece todo ano no Carnaval ou no Ano Novo”.

Os textos estão no site da Economist:

Hora da verdade de Dilma

Com ventos contrários, Dilma muda a direção

Começa a contagem regressiva

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