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Política externa brasileira pode estar no limite, diz artigo do FT

Jornalista do FT afirma que País põe em risco assento em conselho da ONU

Carla Miranda

19 de abril de 2010 | 17h28

Atualizado às 17h44

O Financial Times publicou em seu site nesta segunda-feira um artigo criticando a política externa brasileira, com o argumento de que o País ganha importância muito rapidamente e “não está acostumado com os holofotes da opinião internacional”.

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“O Brasil se tornou importante na comédia das nações”, diz o texto, assinado pelo jornalista John Paul Rathbone.

A tese é de que o País, devido ao carisma de Lula e à relativamente baixa dependência do comércio com nações ocidentais, teria conseguido e aproximar de China, Irã, Coreia do Norte e Venezuela.

Para Rathbone, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva adotou um discurso “imperial” durante o encontro com chefes de governo ou Estado da Rússia, da índia e da China no último fim de semana, ao dizer que esse grupo de países, conhecido como Bric, tem um papel fundamental na criação de uma nova ordem internacional.

“Esse é o tipo de linguagem imperial que a gente poderia esperar [de líderes] da Rússia ou da China. No caso de Lula, o discurso é açucarado pela imagem, diante do mundo, de homem comum – ou de ‘o cara’, como disse o presidente Obama – do ex-líder sindical de 64 anos”, afirma o artigo.

Sobre o fato de Lula ter dito “nasci com o virus da paz” e ter se aproximado do Irã, Rathbone comenta: “Faz parte do papel auto-atribuído que Brasília […] adotou como intermediária para a paz de todos os homens”.

Mas, com as eleições, o Brasil perderá o “encanto” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e “sua imagem de império fofo pode não durar”, diz o autor. “A política de arco-íris do Brasil pode estar chegando ao seu limite e pode inclusive pôr em perigo o objetivo do País de obter um assento permanente no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas.”

Leia o artigo no site do Financial Times (em inglês)

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