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Protestantes jogam ‘mesmo jogo’ contra governos de Brasil e Turquia, diz líder turco

Em ambos os países, insatisfação aparece em meio a abalos no mercado financeiro.

Gustavo Santos Ferreira

24 de junho de 2013 | 16h25

As mesmas manifestações populares querem minar o poder do governo no Brasil e na Turquia – compara o primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan. Em reportagem publicada pela agência Bloomberg nesta segunda-feira, 24, a liderança turca diz que o “mesmo jogo” está sendo praticado nos dois países pelos ativistas.

“Os símbolos são os mesmos, os cartazes são os mesmos, é o mesmo Twitter, é o mesmo Facebook e são os mesmos meios de comunicação internacionais, controlados por um mesmo centro”, disse.

Se não é possível identificar que “centro” ou inimigo em comum é esse, a Bloomberg destaca alguns fatores econômicos que unem as realidades brasileira e turca mais claramente.

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Dilma e Erdogan.  Inimigos em comum?

Em ambos os países, a insatisfação do povo aparece em meio a abalos no mercado financeiro. No Brasil, por exemplo, as perdas na Bolsa de Valores estão na casa dos 24% apenas neste ano. E, na Turquia, por sua vez, o rendimento (yields) dos títulos de dívida de 10 anos pagam hoje quase 8,5% ao ano aos investidores.

(Para entender: há uma convenção entre economistas de que quando os yields estão acima de 7%, o país devedor tende a sofrer de falta de liquidez; portanto, como os rendimentos aos seus credores está acima desse teto, provavelmente a Turquia não tenha como pagar sua dívida).

A mesma guerra cambial – e, aí sim, não restam muitas dúvidas para a Bloomberg – tem sido batalhada pelos dois emergentes. Nos últimos 30 dias, Brasil e Turquia enfrentam desvalorização rápida de suas moedas. Real e lira turca foram enfraquecidas em mais de 8% em relação ao dólar desde o dia 24 de maio – mostra o Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado.

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A motivação clara para o fenômeno são as declarações recentes de Ben Bernanke. O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) afirmou que reduzirá em breve seu programa de estímulos à economia americana. Quando for suspenso, US$ 85 bilhões deixarão de ser emitidos e injetados pelos Estados Unidos por mês nos mercados do mundo. E com menos dólares na praça, mais reais, liras ou outras quaisquer moedas serão necessárias para comprá-los.

Esses fatores, convenhamos, parecem distantes demais da percepção popular para motivar protestos imediatos -diferentemente das dificuldades em fazer o PIB crescer e das consequências desses passos de formiga.

Na Turquia, o governo tem suado para atingir sua meta de avanço em 2013 na casa dos 4%. No Brasil, a situação é ainda mais preocupante: caso alcance ao menos 3% de avanço na produção de bens e serviços, a comemoração não será pouca.

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