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Qual o rumo dos protestos no Brasil?, quer saber o ‘El País’

Todos queriam a revogação do aumento das tarifas. Assim foi feito. E agora?

Gustavo Santos Ferreira

21 de junho de 2013 | 14h41

Matéria publicada pelo El País nesta sexta-feira, 21, tenta responder algumas das várias perguntas sem respostas nascidas dos protestos dos mais de um milhão de brasileiros que invadiram as ruas na noite de quinta.

Todos queriam a revogação do aumento das tarifas. Assim foi feito.

E agora?

Desde 2005, destaca o jornal, o Movimento Passe Livre (MPL) organiza-se na luta pelo direito ao transporte público de qualidade e gratuito. Se esse objetivo maior ainda não foi conquistado, a vitória do grupo é inegável. Além da revogação do aumento das passagens, a pauta principal dos ativistas ganhou, enfim, repercussão – e mundial.

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Para onde ir? Pergunta sem resposta (Foto: Filipe Araujo/Estadão)

Mas e aí? A luta acabou? Uma massa liderada pelo MPL nas redes sociais se pergunta: quais os próximos passos? Estaria o MPL disposto a assumir sua liderança? Aderirá também às bandeiras moralizantes e difusas dos outros ativistas? Aliás, o que queremos agora? Saúde? Educação? Infraestrutura? Transparência? Respeito? Honestidade?

Pois bem. O MPL já garantiu nesta sexta-feira que está saindo de cena. Não irá mais convocar nenhuma manifestação até segunda ordem.

Posto isso, até quando as manifestações, sem um foco definido e pouco objetivas, sobrevivem? Outro questionamento ainda em busca de solução. Para a publicação espanhola, ao menos até o dia 30 de junho, data do fim da Copa das Confederações, não se deve esperar por calmaria nas ruas.

Outra pergunta: com a queda das tarifas, vence o povo ou o populismo?

Uma aspa do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, é lembrada pelo El País na tentativa de solucionar esse problema: “A coisa mais fácil do mundo seria contentar as pessoas no curto prazo e tomar uma decisão populista sem explicar à sociedade as decisões que estão sendo tomadas”.

Seis horas após dizer isso, andar de ônibus em São Paulo voltou a custar R$ 3,00, e não mais R$ 3,20.

Ainda não se sabe como uma decisão, pouco tempo antes impossível de ser tomada, tornou-se viável. E é daí que surge nova dúvida: quem vai pagar a conta? O dinheiro sairá do bolso dos donos das empresas de ônibus?

“Não”, responde o El País. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, ajuda a explicar a aposta da reportagem: “Vamos ter de cortar investimentos, as empresas não tem como assumir”.

A matéria do El País evidencia o pouco que parece claro de tudo o que vem acontecendo nos últimos dias: está todo mundo perdido. Como ficou dito na reportagem, ainda faltam 15 meses para as eleições presidenciais – “uma eternidade em política”. E as duas grandes forças antagônicas das urnas do País, PT e PSDB, estão fortemente arranhadas – e perplexas. Como farão para se estabilizar até lá é nova dúvida que surge. Faltam ainda muitas outras respostas antes de conseguirem responder a essa última pergunta.

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A música Comida, dos Titãs, de 1988, embora mais do que manjada, permanece atual e talvez ajudasse um pouco os espanhóis – e brasileiros – a entender o que se passa por aqui.

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