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Quanto mais o chefe ganha, pior para a empresa?

Carla Miranda

26 de dezembro de 2009 | 19h22

O colunista do Wal Street Journal Jason Zweig destacou neste sábado dois estudos divulgados recentemente nos Estados Unidos que colocam em xeque uma tese muito aceita no país, de que quanto mais se paga para o chefe hoje, maior a chance de ele apresentar resultados melhores no futuro.

Surpreendentemente, as pesquisas apontam para uma situação oposta: nos casos em que o presidente da empresa é mais bem pago, os acionistas acabam ganhando menos.

O primeiro estudo, conta o colunista, fez um levantamento, em 2 mil empresas, da remuneração dos cinco executivos mais bem pagos em cada companhia e chamou de “fatia do presidente” o percentual em dinheiro que vai para o chefe de todos. A pesquisa, coordenada pelo especialista em governança corporativa Lucian Bebchuck, constatou que, na média, essa fatia é de 35%.

Entre as companhias analisadas, aquelas em que os presidentes tinham as maiores fatias eram as que apresentavam menor rentabilidade. “Esses CEOs [sigla em inglês para ‘presidente-executivo’] parecem estar tentando agarrar mais do que deveriam”, diz o autor do estudo.

A outra pesquisa mostrou que, entre 1.500 empresas consultadas, as 150 que tinham os CEOs mais bem pagos ofereciam aos seus acionistas um retorno inferior ao de outras companhias do mesmo setor.  

As empresas que melhor remuneravam seus CEOs destinavam a eles US$ 23 milhões por ano em média, mas deixavam seus acionistas mais “pobres” (em comparação com outras empresas do setor) em US$ 2,4 bilhões por ano, segundo o professor Raghavendra Rau, da Universidade Purdue, um dos autores do estudo.

Leia os textos originais (em inglês):

  • Coluna de Jason Zweig no New York Times
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