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Rede dos EUA abre restaurante tipo ‘pague-quanto-quiser’

Clientes consomem e depois deixam a contribuição que acham justa

Carla Miranda

21 de maio de 2010 | 10h40

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Café St. Louis, da Panera, estilo ‘pague-quanto-quiser’ (fotos: Jeff Roberson/AP)

A Panera Bread, uma rede de cafés com 1.380 unidades nos Estados Unidos, abriu no último fim de semana um restaurante do tipo “pague-quanto-quiser” (“pay-what-you-want”, no original), na cidade de Clayton, Estado de Missouri, segundo reportagem do New York Times.

Os clientes se servem à vontade e depois, na saída, deixam o que acharem justo, ou quanto puderem – ou, ainda, não pagam nada. Quando os clientes perguntam o preço, os atendentes dizem: “pegue o que você precisa, e deixe a contribuição que achar justa”. Quando não pagam, são convidados a trabalharem no estabelecimento como voluntários.

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O jornal conta que esse tipo de restaurante veio na esteira de movimentos da década de 1990 como o dos alimentos orgânicos e do empreendedorismo social (ideia de que lucrar e fazer o bem não são coisas excludentes).

No entanto, muitas lojas desse tipo fecharam, segundo o New York Times. Elas não tinham intenção fazer caridade, mas de obter uma receita suficiente para o seu funcionamento. Algumas tinham uma organização sem fins lucrativos por trás.

O “pague-quanto-quiser” da Panera, especificamente, tem o apoio financeiro de uma grande rede do setor alimentício, com ações em bolsa. Mas também busca autonomia: “É um teste da natureza humana. A verdadeira questão é se a comunidade consegue sustentá-lo [o restaurante]”, disse ao New York Times o presidente da Panera.

Alguns clientes são céticos. Um deles, que deixou US$ 15 por uma refeição cujo preço sugerido era de US$ 24,95, afirmou ao jornal: “Não tenho a menor ideia sobre para onde esse dinheiro vai. Eles querem ter uma boa recepção da imprensa?”.

Outros se mostraram menos desconfiados ante esse modelo, como o desempregado Daniel Honkomp, de 21 anos: “Se eu tivesse algo para doar, eu doaria, mas tudo o que eu posso oferecer é o meu trabalho”, afirmou ao NYT, sobre um dos primeiros restaurantes do gênero, o “One World Everybody Eats”, fundado em 2003 em Salt Lake City. “Se você tem um bom coração e ganha dinheiro, então tente dar sua contribuição justa”, disse Honkomp à reportagem.

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Leia a reportagem no site do New York Times (em inglês)

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